O Brasil enfrenta uma epidemia de excesso de peso, com dados do Global Burden of Disease (GBD) 2023 apontando que quase 70% (66,8%) da população adulta está acima do peso e cerca de 30% (27,7%) convive com a obesidade. Diante dessa crise de saúde pública, as propostas dos candidatos à Presidência da República ganham forte relevância, embora nenhum deles traga em seus planos oficiais no TSE uma estratégia detalhada e específica para o problema, não mencionando termos como “obesidade” e “canetas emagrecedoras“.

Como os planos oficiais não trazem medidas exclusivas, a análise das propostas considera ações das gestões federais anteriores, medidas em andamento e declarações públicas das candidaturas, dividindo-se entre prevenção e tratamento, acesso aos novos medicamentos e incentivo à alimentação saudável.

Políticas de prevenção e combate à doença

No atual governo, a administração federal lançou em 2025 a Estratégia Intersetorial de Prevenção da Obesidade, tratando o problema não apenas como uma questão médica, mas como um desafio social atrelado à renda e ao acesso a alimentos. Já no lado da oposição, a gestão de Jair Bolsonaro implementou em 2021 o Proteja — Estratégia Nacional para Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil, focado no público infantojuvenil com acompanhamento na atenção primária e articulação com escolas.

O debate sobre as canetas emagrecedoras no SUS

A expiração da patente da semaglutida impulsionou as discussões sobre a oferta de tratamentos modernos pelo Sistema Único de Saúde, gerando divergências políticas sobre a viabilidade financeira e operacional da medida.

Em 17 de setembro de 2026, durante uma visita à Eurofarma, que fabrica os medicamentos Poviztra e Extensior, o presidente Lula defendeu a distribuição gratuita desses medicamento pelo SUS, desde que houvesse indicação e acompanhamento médico. Na mesma data, o Ministério da Saúde informou que desenvolvia um estudo com pacientes com obesidade atendidos pela rede pública e trabalhava na definição de protocolos clínicos para o uso desses medicamentos. Uma semana depois, em 24 de setembro, a pasta protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido de avaliação para a incorporação de medicamentos da classe GLP-1 (lireglutida e semaglutida), utilizados no tratamento da obesidade.

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Do outro lado, Flávio Bolsonaro questionou a viabilidade financeira da proposta. Em entrevista ao SantoFlow Podcast, o candidato afirmou que Lula não conseguiria cumprir a promessa de distribuir gratuitamente as canetas emagrecedoras pelo SUS.

Promoção de hábitos alimentares saudáveis

No campo da nutrição, o plano de governo de Lula aposta em diretrizes como compras da agricultura familiar para a merenda escolar, manutenção de regras de publicidade para produtos nocivos e o uso do Imposto Seletivo para desestimular itens prejudiciais. Por sua vez, a proposta de Flávio aposta na redução de impostos sobre o consumo para baratear produtos.

Contudo, houve divergências públicas sobre restrições e tributos. Em novembro de 2024, o senador se manifestou contra um projeto que proibia a venda de ultraprocessados em cantinas escolares e criticou a perspectiva de aumento da tributação desses produtos na reforma tributária. Para ele, elevar os preços não reduziria o consumo, mas poderia levar as pessoas a optarem por produtos mais baratos e de qualidade inferior. Flávio defendeu que a conscientização de pais e alunos seria mais relevante que a imposição de restrições pelo Estado.