A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou uma nova indicação terapêutica para o obinutuzumabe, anticorpo monoclonal comercializado como Gazyva, que passa a ser receitado para adultos diagnosticados com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo, de moderado a grave, que mantêm a terapia padrão e apresentam positividade para autoanticorpos.

Mecanismo de ação contra os linfócitos B

O fármaco atua como um anticorpo monoclonal humanizado focado na eliminação “intensa e prolongada” de linfócitos B, células de defesa que atacam o próprio organismo na condição autoimune. O direcionamento ocorre por meio da proteína CD20 na superfície celular. Em janeiro, o produto já havia recebido aval para nefrite lúpica, ampliando agora o alcance para pacientes sem lesões renais.

Redução de crises e uso de corticoesteroides

Conforme a agência reguladora, a ampliação do uso baseia-se em pesquisas que comprovaram a capacidade do tratamento de abrandar a atividade da patologia, cortando a frequência de surtos e a dependência de corticoesteroides, cujos efeitos colaterais preocupam em tratamentos prolongados.

Desafios para acesso e ausência no SUS

A liberação da agência federal valida a comercialização e a prescrição médica no país, mas não garante a distribuição imediata pela rede pública ou por operadoras de saúde suplementar. Atualmente, o acesso depende da compra particular, com um custo aproximado de R$ 35 mil por ampola de 40 ml.

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Avaliação econômica na saúde pública

Para que o insumo seja integrado à rede pública, o processo exige uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que examina tanto as vantagens clínicas quanto a viabilidade financeira do investimento.