Anos atrás, falar sobre atividade física como forma de prevenção ao câncer era algo pouco comum até mesmo dentro dos consultórios médicos. Hoje, no entanto, a ciência chancela a prescrição de exercícios tanto para evitar o surgimento de tumores quanto para auxiliar no tratamento de diversas enfermidades oncológicas.
O histórico das pesquisas sobre o tema
Um levantamento publicado em 1985 avaliou ex-alunas universitárias e identificou que o grupo de mulheres que não praticava esportes apresentou, em média, duas vezes e meia mais tumores ginecológicos e o dobro de casos de câncer de mama em comparação às atletas amadoras.
A investigação sugeriu a existência de um “efeito atlético”, indicando que os benefícios decorrem da exposição prolongada aos exercícios, muitas vezes iniciados ainda na adolescência. Anos mais tarde, novas análises reforçaram a conexão ao apontarem uma redução de 37% no risco da doença entre mulheres fisicamente ativas.
Benefícios em todas as etapas da doença
Atualmente, o acervo de dados científicos demonstra que a prática regular não apenas diminui as chances de desenvolver a condição, como também reduz o risco de recidiva, limita a mortalidade, abranda os efeitos colaterais dos medicamentos e acelera a reabilitação das pacientes.
A experiência no enfrentamento à doença também ocorre na prática clínica e pessoal de profissionais da saúde. Após passar por cirurgias e reconstruções mamárias, a rotina de longas horas em pé no centro cirúrgico revelou fragilidades musculares até então ignoradas.
O papel estratégico do fortalecimento muscular
Para lidar com as dores intensas decorrentes do esforço profissional e da perda de vigor muscular associada às próteses de silicone, a inclusão do treino de força para os membros superiores se mostrou fundamental.
Foi preciso abandonar a ideia de que a musculatura superior precisava ser frágil. A decisão de mudar de abordagem veio quando a profissional ouviu de sua fisioterapeuta: “Chega! Não vou mais tratar músculos frágeis e cansados. Vamos fortalecê-los”.
A introdução de treinos progressivos de resistência e amplitude de movimento, antes contraindicados após a mastectomia, transformou a recuperação e permitiu o retorno às cirurgias sem dores.
Por que começar a se exercitar
As evidências atuais apontam que o exercício diminui a probabilidade de surgimento de tumores, prolonga a sobrevida após o diagnóstico, atenua reações adversas, combate a fadiga e a depressão, eleva a autoestima e melhora a capacidade cardiorrespiratória.
Não é preciso alcançar o nível de atleta para colher esses resultados. A recomendação é buscar orientação médica quando necessário e dar o primeiro passo, pois a energia tende a aumentar com a constância da prática.










