O consumo inadequado de remédios voltados ao controle da obesidade tem ultrapassado o público adulto e acendido um sinal vermelho na área médica. A prática indevida já atinge crianças e adolescentes, motivando uma manifestação oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre os perigos associados a essa tendência.
Riscos do emagrecimento estético
A entidade científica emitiu um comunicado oficial chamando a atenção para a possibilidade de reações adversas mais intensas e recorrentes em pacientes jovens que utilizam os fármacos sem prescrição adequada. O endocrinologista pediátrico da SBP, Crésio Alves, reprova a prática: “Esses medicamentos não devem ser usados para perda rápida de peso antes de festas, viagens ou competições”.
Quando o tratamento é autorizado
Apesar do uso recreativo ou estético ser condenado, a aplicação dos análogos de GLP-1 é devidamente liberada no país para menores com obesidade severa ou quadros desafiadores de diabetes tipo 2, contando com respaldo científico quanto à sua segurança e eficácia.
As diretrizes variam conforme o princípio ativo: – Liraglutida: liberada para controle de diabetes a partir dos 10 anos e para obesidade em adolescentes com 12 anos ou mais e peso superior a 60 quilos. – Semaglutida: o princípio ativo do Wegovy possui as mesmas exigências da liraglutida no combate ao excesso de peso. – Tirzepatida: a substância presente no Mounjaro é restrita ao tratamento do diabetes tipo 2 resistente em pacientes a partir dos 10 anos.
Estilo de vida e efeitos colaterais
A adoção de uma rotina ativa e de uma alimentação equilibrada continua sendo fundamental, conforme reforça a endocrinologista Maria Edna de Melo, vinculada ao Hospital das Clínicas de São Paulo.
Além disso, o público infantojuvenil pode apresentar maior vulnerabilidade aos compostos, manifestando sobretudo reações no sistema digestivo, a exemplo de diarreia e enjoo. A orientação médica rigorosa permanece indispensável para evitar complicações desnecessárias nessa faixa etária.










