O universo da aviação brasileira perdeu uma de suas vozes mais emblemáticas nesta quinta-feira (1º). O mecânico de aeronaves, piloto e influenciador digital Joselito Geraldo de Sousa, conhecido nacionalmente como Lito Sousa, faleceu aos 59 anos. Ele enfrentava complicações da doença de Creutzfeldt-Jakob, diagnosticada em julho deste ano, além de um quadro de câncer de próstata. O anúncio foi feito por sua esposa, a empresária Mila Seidl, por meio de uma publicação em vídeo nas redes sociais.
Bastante emocionada, Seidl prestou homenagem ao companheiro e ressaltou o legado de acolhimento deixado por ele. “No canal, falamos de tantas chegadas e partidas, de planos de voo que deram errado e precisaram ser reajustados. Mas nunca imaginei que um dia precisaríamos falar da sua partida“, diz Seidl. “Eu não sei explicá-la. Talvez ninguém saiba. Mas olhando para a vida que você viveu, eu sei que você cumpriu a sua missão. O Brasil inteiro te ama porque você deixou a gente mais seguro para seguir viagem.”
Legado na educação e paixão pelos céus
Natural de Natal (RN), Lito construiu uma sólida trajetória profissional de mais de 35 anos na manutenção e pilotagem de aeronaves. Sua facilidade para comunicar transformou-o em um fenômeno na internet: à frente do canal Aviões e Músicas no YouTube, reuniu mais de 4,2 milhões de seguidores ensinando conceitos técnicos de forma clara e acessível a qualquer pessoa leiga.
Grande parte de sua atuação foi voltada a tranquilizar passageiros aflitos. Em 2022, o especialista consolidou essa vocação ao lançar o treinamento Sem Medo de Voar, no qual explicava com calma o funcionamento dos aviões, a segurança dos protocolos aéreos, barulhos normais de bordo e as razões por trás das turbulências. Em conjunto com a esposa, fundou ainda a Lito Academy, plataforma de palestras, consultorias e cursos técnicos. O profissional também se destacou na literatura com obras como Onde Morrem os Aviões, livro fruto de suas vivências no ramo da aviação na República Democrática do Congo.
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob?
A fatalidade foi causada pelo avanço da DCJ. De acordo com a classificação técnica do Ministério da Saúde, o problema se caracteriza por ser “uma doença priônica humana rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal”. O quadro costuma evoluir de maneira veloz e impacta funções essenciais de coordenação motora e capacidades cognitivas. No caso particular de Lito, os primeiros indícios envolveram perda de sensibilidade e dormência no braço, embora muitos pacientes manifestem inicialmente sinais típicos de declínio demencial.
O papel dos príons no organismo
O transtorno neurológico está atrelado aos príons, termo que define “partículas proteicas infecciosas”. Identificadas originalmente no ano de 1982 pelo neurologista Stanley B. Prusiner — trabalho laureado com o Nobel de Medicina —, essas estruturas são ainda menores do que partículas virais e não apresentam material genético, sendo compostas puramente por proteína.
Embora estejam presentes naturalmente nas células do corpo humano, certas alterações estruturais anômalas fazem com que os príons se dobrem de modo irregular. Esse dobramento incorreto dispara um efeito cascata que altera as moléculas adjacentes. Com isso, as proteínas deformadas passam a se acumular desordenadamente no tecido cerebral, gerando danos irreversíveis às funções do cérebro. Por não possuir cura científica conhecida, a condição médica demanda cuidados paliativos com foco em aliviar dores e sintomas, registrando uma taxa de mortalidade próxima de 90% em até doze meses após os primeiros reflexos clínicos.










