As normas que regulamentam a doação de sangue em território nacional passaram por mudanças significativas que entraram em vigor na última quarta-feira (30). A atualização busca desburocratizar o processo de contribuição aos hemocentros brasileiros, reduzindo períodos de espera e ajustando exigências para procedimentos estéticos e tratamentos de saúde.
Segurança e tecnologia
De acordo com o Ministério da Saúde, a flexibilização foi possível graças a avanços laboratoriais que proporcionam maior segurança e rastreabilidade. Com isso, os critérios puderam ser atualizados sem colocar em risco a saúde de quem doa ou de quem recebe os hemocomponentes.
Uso de canetas emagrecedoras
Quem utiliza medicamentos com agonistas de GLP-1 — como os remédios à base de semaglutida, tirzepatida (Mounjaro), liraglutida e dulaglutida — não possui contraindicação e não precisa suspender a terapia para ajudar os bancos de sangue.
A restrição ocorre apenas de forma temporária em cenários específicos: se o tratamento começou ou teve a dosagem aumentada nos 14 dias anteriores, ou se o paciente manifestar sintomas colaterais como náuseas, vômitos, diarreia e refluxo. Nesses casos, aguarda-se um intervalo de 14 dias após a estabilização.
Já o compartilhamento de canetas aplicadoras com terceiros exige um resguardo de 4 meses contados da última utilização, restrição motivada pelo risco associado ao uso conjunto de agulhas.
Tatuagens e procedimentos estéticos
Intervenções estéticas invasivas deixaram de impor um afastamento prolongado de forma automática. Tatuagens, piercings, microagulhamento, botox e preenchimentos agora solicitam apenas 7 dias de inaptidão, desde que a segurança do procedimento seja comprovada no momento da triagem. Caso contrário, o prazo sobe para 4 meses. A exceção absoluta permanece para piercings na região genital, cuja remoção exige o cumprimento de uma quarentena de 4 meses para liberar a doação.
Fim da idade máxima
A restrição etária que impedia doações após os 70 anos deixou de existir. Idosos podem continuar colaborando com a rede de hemoterapia após essa idade, desde que já fossem doadores regulares antes de completarem sete décadas de vida. Contudo, quem nunca doou precisa realizar o primeiro procedimento até a véspera de completar 61 anos para poder integrar o grupo de doadores. A aptidão é avaliada individualmente pelas equipes de hematologia.
Triagem para malária e novos prazos
A testagem do sangue coletado passou a incluir análises para malária, o que impactou diretamente os viajantes. O antigo bloqueio de um ano para quem visitava áreas endêmicas despencou para apenas 30 dias.
Outras situações que exigiam 6 meses de espera — como endoscopias e uso de anabolizantes injetáveis sem acompanhamento médico — tiveram o tempo de restrição padronizado em 4 meses.
Requisitos básicos para doar
Para se voluntariar, é necessário atender a critérios fundamentais: ter entre 18 e 69 anos (ou 16 e 17 anos com autorização formal dos responsáveis), pesar no mínimo 50 kg e apresentar frequência cardíaca regular, variando de 50 a 100 batimentos por minuto, salvo exceções avaliadas em atletas de alto rendimento.










