Enquanto o mês de outubro mobiliza a campanha de conscientização sobre o câncer de mama humano — que deve registrar mais de 78 mil novos casos no Brasil segundo o Instituto Nacional de Câncer —, tutores de animais precisam redobrar a atenção. A doença não afeta apenas pessoas e é consideravelmente mais frequente entre os pets, atingindo cadelas e gatas com alta incidência.
Incidência superior à humana Um estudo brasileiro divulgado em 2025 pela revista científica Veterinary Sciences aponta que a taxa de câncer de mama em cachorras chega a ser até três vezes maior do que a documentada entre mulheres. Em ambas as espécies, a ocorrência de tumores mamários em machos é considerada rara.
Como identificar os sintomas Diferentemente do que acontece na saúde humana, a medicina veterinária não dispõe de exames de rastreamento preventivo para os animais. Por essa razão, a observação diária por parte dos tutores é fundamental para detectar alterações físicas como inchaço, vermelhidão e o surgimento de carocços.
Sinais de alerta no corpo do pet
Os responsáveis devem monitorar atentamente a região das mamas em busca de modificações visíveis ou táteis. Entre os principais indícios estão a formação de nódulos únicos ou múltiplos, alterações na coloração dos mamilos — que podem ficar avermelhados, escuros ou arroxeados —, além de inchaço e eliminação de secreções.
“Se você notar algum desses sinais, procure assistência profissional”, orienta a médica veterinária Kimberly Karoline Ramos da Costa, do Veros Hospital Veterinário, em São Paulo.
Fatores de risco e predisposição O principal gatilho para o desenvolvimento desses tumores é a exposição prolongada aos hormônios reprodutivos. Bichinhos que não passaram pelo procedimento cirúrgico de esterilização apresentam índices muito superiores de neoplasias mamárias quando comparados àqueles castrados. O avanço da idade também favorece o aparecimento do problema.
Além disso, pesquisas internacionais indicam que certas raças possuem maior vulnerabilidade genética. Entre os cães, destacam-se o boxer, o cocker spaniel e o dachshund; já entre os felinos, as raças siamês e persa exigem maior cuidado.
Diagnóstico e investigação clínica
A confirmação da malignidade exige a realização de exames laboratoriais específicos, sendo a biópsia o método definitivo.
“Em caso de suspeita, realizamos um exame de citologia, com a punção aspirativa, e a a biópsia incisional. Ou seja, retiramos um fragmento do nódulo para análise molecular”, explica a médica veterinária.
Após a confirmação diagnóstica, os profissionais precisam averiguar se há disseminação de células tumorais pelo organismo do animal. “Solicitamos raio-x de tórax para pesquisa de metástases, ultrassom abdominal e, para alguns pacientes, tomografia“, lista Costa. “Isso também nos ajuda a planejar melhor o tratamento cirúrgico e a determinar o prognóstico do paciente.”
Abordagens terapêuticas O tratamento para cadelas e gatas acometidas pela enfermidade é diversificado, acompanhando as particularidades de cada quadro clínico.
“Em geral, a opção cirúrgica é a mais indicada, o que inclui a remoção da cadeia mamária e, quando a paciente não castrada, indicamos também a castração para reduzir o eventual estímulo hormonal”, justifica a profissional.
Conforme a análise molecular do tecido retirado e a margem de sucesso na cirurgia para a remoção completa do tumor, o oncologista veterinário pode indicar sessões complementares de quimioterapia ou radioterapia.
Estratégias de prevenção A medida mais eficaz para evitar o surgimento dessas neoplasias é a castração precoce, que bloqueia o estímulo hormonal associado ao crescimento tumoral. Tutores devem buscar informações sobre programas públicos e campanhas de esterilização gratuita oferecidas em suas regiões.
“Cada paciente deve ser avaliado de forma individualizada, levando em consideração a idade, o porte e a raça do animal”, pontua a médica veterinária.










