A prática de atividades físicas regular emergiu como uma ferramenta indispensável no suporte a pacientes diagnosticados com tumores malignos, atuando desde a preparação para cirurgias até a reabilitação pós-tratamento.
O papel do treino físico na oncologia
Durante o 13º Congresso de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (GeriatRio 2026), especialistas debateram protocolos voltados para melhorar a resposta do organismo às terapias oncológicas. A prescrição de exercícios físicos personalizados demonstrou potencial para reduzir o tempo de internação hospitalar e minimizar a toxicidade dos medicamentos.
Daniel Galvão, professor da Universidade Edith Cowan e diretor do Instituto de Pesquisa em Medicina do Exercício, destacou a importância da abordagem. “Ele melhora a capacidade funcional do paciente para atravessar o tratamento. Antes de uma cirurgia, deixa o indivíduo mais apto, o que pode resultar num tempo menor de hospitalização. Além disso, reduz a toxicidade do tratamento e será parte fundamental da reabilitação. Atualmente, as chances de sobrevida aumentaram muito, mas nem sempre essa sobrevida é de boa qualidade. E é onde o treino físico é capaz de fazer uma enorme diferença”, afirmou o especialista.
Benefícios contra efeitos colaterais
No caso de tumores como o de próstata, que exigem a Terapia de Privação Androgênica, ocorrem perdas musculares e ganho de gordura. O treinamento resistido e aeróbico atua diretamente na proteção da massa magra, densidade óssea e capacidade cardiorrespiratória.
“O exercício é a melhor maneira para proteger a massa muscular, a integridade óssea e a função cardiorrespiratória. Tem que ser visto como uma intervenção terapêutica. Há um outro componente nessa equação: a melhora na percepção de vitalidade, qualidade de vida e saúde dos pacientes. Diminui a fadiga, um dos efeitos colaterais sofridos por quem está em tratamento, e auxilia nos quadros de ansiedade, depressão e estresse”, pontuou Daniel Galvão. Até 2010, a recomendação médica costumava ser o repouso absoluto, cenário que mudou drasticamente com avanço das pesquisas científicas na última década.
Os perigos dos suplementos alimentares
Em contraponto à busca por saúde, o mercado de suplementos alimentares movimenta bilhões no Brasil, muitas vezes acompanhado pelo consumo sem orientação médica, o que acende um alerta na comunidade oncológica e geriátrica.
O hepatologista João Marcello de Araújo Neto apresentou dados indicando que mais da metade dos domicílios brasileiros possui ao menos um morador adepto a esses produtos. “Um levantamento de 2020 mostrava que, em 59% dos lares, havia pelo menos uma pessoa consumindo suplementos. Entre os idosos, dados sugerem que o consumo chega ao dobro da média da população”, alertou o médico, citando riscos associados ao excesso de vitaminas A, D, B6, C e ao uso de esteroides anabolizantes.
Alimentação versus cápsulas
A vulnerabilidade de idosos em busca de longevidade saudável foi o foco da análise da nutricionista Wilza Peres, que reforçou a superioridade de uma dieta equilibrada em detrimento de compostos isolados.
“A pergunta que deve ser feita é: que problema este suplemento vai tratar ou prevenir, e qual é a evidência de que funcione? Se não houver resposta, não há indicação”, declarou a nutricionista, reforçando que os multivitamínicos só se justificam em cenários específicos de restrição alimentar severa.
“Suplementar não é uma intervenção biologicamente neutra. O padrão alimentar vale mais do que uma cápsula. Alimentos entregam nutrientes dentro de uma matriz complexa. A dieta mediterrânea, por exemplo, diminui o risco de fragilidade em 56%”, concluiu Wilza Peres.










