O cantor Leonardo utilizou as redes sociais na última segunda-feira (28) para celebrar o término de um período de um mês sem consumir bebidas alcoólicas. “Nunca mais faço isso”, brincou o músico, que atua como embaixador de uma marca de cerveja e já ganhou repercussão na internet ao aparecer oferecendo bebida para o próprio neto.
O impacto do álcool no organismo
A interrupção temporária no consumo de bebidas aconteceu por recomendação médica. O artista precisou parar de beber após exames de sangue apontarem taxas elevadas de triglicerídeos, um tipo de gordura que, juntamente com o colesterol, serve como indicador crucial para avaliar riscos cardiovasculares.
Por ser altamente calórico e rico em açúcares, o álcool passa pelo metabolismo no fígado e é transformado em lipoproteínas de muito baixa densidade, conhecidas pela sigla VLDL. Embora atue de forma técnica como uma variação de colesterol, o VLDL tem a função de transportar os triglicerídeos pelo sangue, elevando a concentração desse marcador.
Ação enzimática e o lipidograma
Além da produção de VLDL, as bebidas alcoólicas bloqueiam a atividade da lipase lipoproteica, enzima responsável por quebrar os triglicerídeos presentes na circulação sanguínea. Esse bloqueio provoca o aumento acentuado do marcador nos resultados laboratoriais.
O colesterol e os triglicerídeos costumam ser avaliados simultaneamente no exame conhecido como lipidograma. No entanto, o álcool provoca alterações mais evidentes nos triglicerídeos do que no colesterol, embora isso não indique que a bebida traga benefícios para o perfil lipídico.
Riscos associados e a trégua de trinta dias
Taxas elevadas de qualquer um desses marcadores servem como sinal de alerta para complicações que aumentam a probabilidade de infarto, AVC e outras disfunções cardiovasculares. Além disso, triglicerídeos excessivamente altos ampliam as chances de desenvolvimento de pancreatite aguda e esteatose hepática, condição conhecida como gordura no fígado.
Suspender a ingestão de álcool por trinta dias, a exemplo do que fez o cantor, contribui efetivamente para a redução imediata das taxas registradas no lipidograma. Esse intervalo de abstinência também auxilia os médicos a confirmarem se o problema decorre principalmente da bebida ou de outros hábitos alimentares.
Especialistas ressaltam, contudo, que uma queda pontual nos exames não garante proteção cardiovascular a longo prazo caso o paciente não adote um estilo de vida saudável de forma permanente. O retorno aos antigos padrões de consumo tende a elevar novamente as taxas sanguíneas.
A manutenção dos triglicerídeos sob controle é viável mesmo com a ingestão moderada de álcool, desde que acompanhada por uma dieta equilibrada e pela prática regular de exercícios físicos. Mesmo quando não altera o lipidograma, o consumo alcoólico permanece associado a diversos problemas de saúde, reforçando a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que não há limites considerados seguros para a ingestão de álcool.










