Novas pesquisas clínicas com a retatrutida, desenvolvida pela Eli Lilly, revelam reduções expressivas de peso corporal e controle da glicemia em pacientes com obesidade e diabetes tipo 2.

Resultados do estudo clínico TRIUMPH-2

O ensaio clínico de fase 3, divulgado na revista científica The Lancet, avaliou 1.152 participantes ao longo de 80 semanas. Divididos em quatro grupos, os pacientes receberam doses variadas de 4 mg, 9 mg, 12 mg ou um placebo.

Na dosagem máxima de 12 mg, a perda média atingiu 22,5 kg, o equivalente a 20,8% do peso inicial. Enquanto isso, o grupo que utilizou 4 mg registrou queda de 12,7%, a faixa de 9 mg alcançou 19,1% e o grupo placebo ficou em apenas 4%. Além disso, mais da metade dos indivíduos com a dose mais alta deixaram de preencher os critérios clínicos para obesidade com base no IMC.

Impacto metabólico e cardiovascular

O tratamento também demonstrou eficácia expressiva no controle do açúcar no sangue e na melhora do perfil lipídico. Nas duas maiores dosagens, cerca de 40% dos voluntários atingiram níveis de hemoglobina glicada abaixo de 5,7%, marca considerada normal para a glicose sanguínea.

Houve ainda uma queda expressiva nos marcadores de risco cardiovascular para quem utilizou a dose de 12 mg, registrando redução de 39,5% nos triglicerídeos e de 19,6% no colesterol não-HDL.

Avanços no tratamento da obesidade isolada

Paralelamente, a fabricante divulgou dados complementares do estudo TRIUMPH-1, voltado exclusivamente para pessoas com obesidade sem diabetes, publicados no New England Journal of Medicine.

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A pesquisa confirmou a perda ponderal média de 25% com a dose de 12 mg e apontou melhorias em comorbidades associadas. Entre os benefícios secundários estão a diminuição nos escores de dor articular nos joelhos em quadros de osteoartrite e a redução de episódios ligados à apneia obstrutiva do sono.

Mecanismo de ação e segurança

O fármaco é considerado a próxima geração das canetas emagrecedoras por atuar como um “triplo agonista”. Diferente de tratamentos atuais como a tirzepatida, que estimulam dois receptores, a retatrutida atua simultaneamente no GLP-1, no GIP e no glucagon para modular o metabolismo e a fome.

Apesar do forte apelo comercial e científico, o produto segue em fase de testes e ainda não recebeu aval de comercialização em nenhum país. Autoridades sanitárias como a FDA e a Anvisa alertam que qualquer produto comercializado atualmente sob esse nome é irregular e não possui certificação de segurança.