O Brasil caminha para ocupar a quinta posição entre os países com maior população idosa até 2030, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), exigindo debates urgentes sobre políticas públicas voltadas à longevidade e ao manejo de condições de saúde de longo prazo.

Desafios da longevidade e análise dos planos Embora a expectativa de vida esteja em alta, o acréscimo de anos não ocorre sem o ônus de enfermidades contínuas, fazendo com que grande parte da velhice seja marcada por problemas cardíacos, diabetes e declínio cognitivo. Especialistas da área médica avaliaram de forma cega as diretrizes de doze postulantes ao Executivo nacional para entender como cada um pretende lidar com esse panorama demográfico e sanitário.

Para o geriatra Eduardo Canteiro Cruz, diretor administrativo da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), as diretrizes atuais mostram maior maturidade em relação ao pleito anterior, embora ainda caminhem em ritmo inferior ao salto demográfico do país. “A maioria dos programas de governo apresenta foco no fortalecimento da atenção primária à saúde para evitar, detectar, monitorar e, portanto, minorar os agravos à saúde. No entanto, o fortalecimento deve vir acompanhado de capacitação e provisão orçamentária, com acompanhamento de resultados. Isso se dá por meio de indicadores de saúde, citados por alguns candidatos”, afirma.

Propostas para doenças crônicas e gestão No quesito monitoramento de enfermidades e eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS), nomes como Ronaldo Caiado, Clariana Barão e Wilson Grassi destacam-se pela inclusão de métricas detalhadas. Outros postulantes, a exemplo de Romeu Zema, Augusto Cury, Renan Santos e Lula, também associam repasses de verbas ou metas de atendimento a parâmetros de qualidade e exames. Por outro lado, concorrentes como Flávio Bolsonaro, Edmilson Costa, Hertz Dias, Samara Martins e Rui Costa Pimenta omitem a adoção de indicadores em seus textos oficiais.

Saúde do idoso e prevenção de agravos No tocante aos cuidados específicos com a terceira idade, como demências e prevenção de quedas, poucas chapas apresentam metas concretas. Flávio Bolsonaro menciona atenção ao mal de Alzheimer e à rede de apoio aos cuidadores, enquanto o projeto de Caiado traz um conjunto robusto que abrange linhas de cuidado para demências, prevenção de fragilidades ósseas e reabilitação pós-cirúrgica. A integração de prontuários eletrônicos também surge como estratégia para mitigar a polifarmácia e evitar exames duplicados.

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Lacunas e uso de tecnologias Apesar dos avanços pontuais, a fisioterapeuta Isabela Oliveira Azevedo Trindade aponta que diretrizes fundamentais da Década do Envelhecimento Saudável foram ignoradas. “Em linhas gerais, os planos de governo ainda só conseguem enxergar o envelhecimento como uma questão previdenciária e de saúde pública”, destaca. Questões como a territorialização dos serviços e a escassez de formação especializada também ficaram de fora das discussões centrais.

No campo tecnológico, ferramentas como inteligência artificial e telessaúde aparecem em diversas diretrizes, mas exigem cautela. Cruz pondera que tais recursos não devem funcionar como soluções isoladas. “Há um uso muitas vezes vazio da inteligência artificial e da telessaúde/telemedicina nos programas de governo”, afirma, ressaltando que a inovação precisa atuar como suporte às equipes presenciais para assegurar a continuidade do atendimento médico em regiões distantes.