O cantor Netinho de Paula, que também concorre à Câmara dos Deputados na atual eleição, foi diagnosticado recentemente com um câncer na tireoide, informou a assessoria do artista à imprensa no último final de semana.
Aos 56 anos, o músico, ex-integrante do Negritude Júnior, descobriu o tumor após a identificação de um nódulo na glândula, que exigiu investigações complementares para determinar se o quadro era maligno ou não.
Após a repercussão do caso, o próprio artista compartilhou o diagnóstico no palco e disse que teria um câncer na amígdala, um problema de saúde diferente, embora em uma região anatomicamente próxima.
Em nota enviada aos veículos, porém, a equipe de Netinho afirmou que ele tem um carcinoma papilífero, o câncer de tireoide mais comum. Além disso, segundo a assessoria, o câncer está em estágio inicial, o que melhora o prognóstico. O cantor tem cirurgia prevista para remover o tumor em outubro.
Entenda mais como a doença é identificada a partir de um nódulo (que não necessariamente é sinal de câncer), quais sintomas são indicativos de que algo vai mal com a tireoide, e o que determina a gravidade do quadro.
Nódulo e câncer na tireoide: como diferenciar?
Em qualquer parte do corpo, um nódulo é uma lesão sólida que lembra um “caroço” e pode surgir por motivos diversos, que muitas vezes não são esclarecidos. Essa alteração gera preocupações, já que alguns nódulos podem ser um câncer, mas esse nem sempre é o caso.
Especificamente em relação à tireoide, a maioria dos nódulos é benigna. Ainda assim, o risco de malignidade normalmente exige investigações complementares: exames de imagem podem ajudar a avaliar o tamanho da alteração, mas também costuma ser indicada uma punção dessa massa para biópsia, com o envio do material para análise laboratorial que determina se as características são indicativas de um câncer ou não.
Vale destacar, ainda, que problemas como o hiper e o hipotireoidismo não costumam ser ocasionados por mudanças anatômicas na glândula. No entanto, exames de imagem solicitados para investigar esses quadros podem acabar levando à descoberta casual de nódulos e cânceres, mesmo sem relação direta com os distúrbios originais.
Conheça os sintomas
Muitas vezes, um câncer de tireoide não gera qualquer sintoma perceptível. Mesmo quando há um nódulo, ele pode não ser sentido se o tamanho for muito reduzido. Quando cresce um pouco mais, o caroço pode se tornar palpável ou até visível, gerando desconforto estético.
Devido à localização da tireoide, no pescoço, o crescimento de um nódulo (canceroso ou não) pode levar a dificuldades na fala e na deglutição, com sintomas como tosse e rouquidão, além de incômodos ao se alimentar. Muitos cânceres de tireoide, porém, são pouco agressivos e podem permanecer assintomáticos por longos períodos.
Quando o tumor é maligno e começa a gerar sintomas sistêmicos, eles podem incluir fadiga, gânglios linfáticos aumentados e perda de peso sem explicação, sinais clássicos de câncer.
O que define a gravidade do tumor na tireoide? Como é o tratamento?
As características das células tumorais determinam qual tipo de câncer está acometendo a tireoide. Mais de 80% dos casos são semelhantes ao de Netinho de Paula: o carcinoma papilífero, que costuma evoluir de forma muito lenta, o que favorece um tratamento com remissão completa. Em casos detectados precocemente, a sobrevida após cinco anos do diagnóstico se aproxima de 99%.
Outros tipos de câncer na tireoide incluem o folicular, o oncocítico e o anaplásico. Este último tipo é o mais agressivo e preocupante de todos, com chances mais altas de gerar metástase, o que afeta as chances de remissão e sobrevida dos pacientes. Nesses casos, o prognóstico varia muito de acordo com o momento em que o tumor foi descoberto.
Nos cânceres mais localizados, como é o caso do papilífero, uma cirurgia para remover o tumor (que pode exigir a remoção completa da glândula) pode ser a única abordagem necessária, a depender das características do quadro.
Quando isso é feito, uma reposição hormonal é exigida para repor aquilo que a tireoide não produz mais. Já em cânceres mais avançados, podem ser indicadas abordagens complementares, como radioterapia e quimioterapia, conforme avaliação da equipe médica.










