Situações de intenso sofrimento psíquico e pensamentos sobre a morte podem surgir em diferentes fases da vida. Conversar com alguém de confiança e buscar suporte especializado são medidas fundamentais, sobretudo quando tais sentimentos se tornam recorrentes e difíceis de gerenciar. Profissionais da área reforçam que o sofrimento emocional deve sempre motivar a busca por auxílio imediato.

Canais de atendimento remoto e conversas 24 horas

O Brasil dispõe de diversas alternativas gratuitas para quem precisa desabafar, obter orientação ou receber atendimento especializado de forma rápida. O principal canal de escuta no país é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que conta com o respaldo do Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço funciona todos os dias, ininterruptamente, por meio do telefone 188, oferecendo apoio emocional conduzido por voluntários preparados.

Além da ligação telefônica, o CVV disponibiliza atendimento via chat, e-mail e Skype em seu portal oficial. Em cenários de crise aguda, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo número 192 para socorro imediato ou envio de equipes ao local.

Plataformas digitais voltadas para jovens e crianças

Adolescentes e jovens entre 13 e 24 anos contam com a iniciativa “Pode falar”, desenvolvida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Por meio de um chat no WhatsApp com o chatbot “Ariel”, os usuários recebem orientações e são direcionados ao atendimento humano prestado por universitários da área da saúde.

Outra ferramenta importante é o Helpline, mantido pela ONG SaferNet, focado em crianças e adolescentes que enfrentam situações de risco no ambiente virtual, como exposições violentas ou cyberbullying. O portal também orienta responsáveis sobre como promover uma navegação segura para os mais jovens.

Rede pública de saúde e locais presenciais

Para quem busca acompanhamento contínuo com equipes multidisciplinares, a rede pública oferece os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Os CAPS funcionam como portas de entrada para o SUS e atendem pessoas com transtornos psiquiátricos ou em sofrimento intenso, sem exigência de agendamento prévio para casos urgentes.

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Nos CAPS, os pacientes encontram psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais. Em situações de emergência com risco iminente, o Ministério da Saúde recomenda procurar prontos-socorros, UPAs 24 horas ou hospitais gerais.

A importância da rede de apoio

“Pensar em morte não é fraqueza nem defeito de caráter, mas sim sofrimento”, enfatiza a psicóloga Raquel Antoniassi, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS). “E sofrimento se trata. A dor é real, mas não é permanente. Com ajuda, é possível se sentir de outra maneira“, enfatiza.

A especialista também destaca que não é necessário esperar que a situação chegue a um limite extremo para procurar suporte. “É importante que a pessoa e a família saibam que existem múltiplas portas de entrada – e que nenhuma delas exige “estar muito mal” para ser acessada”, orienta Antoniassi.

A docente Kelly Giacchero Vedana, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (EERP-USP), reforça a importância de evitar o isolamento nestes momentos. “Nesse momento de dor, o passo a passo é evitar decisões drásticas, estar aberto a formas de alívio que não trazem prejuízo, evitar o isolamento e buscar apoio profissional”, orienta. “Pode levar tempo, mas é possível se sentir melhor“, completa.