O fenômeno climático conhecido como super El Niño pode desencadear mais de 450 mil óbitos em todo o planeta até fevereiro de 2027. No Brasil, que figura entre as nações mais impactadas pelas altas temperaturas, as estimativas apontam para mais de 13 mil óbitos excedentes em decorrência direta do forte calor.

Riscos para o Brasil e o ranking mundial

As projeções foram calculadas por um levantamento recente do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago. Com o aquecimento acentuado das águas do Oceano Pacífico, o período entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027 tende a registrar cerca de 451.000 mortes adicionais associadas às ondas de calor globalmente.

Em termos absolutos, o território brasileiro poderá ocupar a quinta posição mundial em óbitos extras, somando 13.271 casos. O ranking global é liderado pela Nigéria (31,3 mil), seguida por Indonésia (19,2 mil), Sudão (17,4 mil) e Índia (15,6 mil).

Estados mais vulneráveis e impactos na saúde

Devido à proximidade com a linha do Equador, as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores perigos de mortalidade ligada às temperaturas extremas. O Pará aparece no topo da lista de ameaças no país, com uma projeção de 2,3 mil óbitos adicionais.

O calor extremo compromete o equilíbrio do corpo humano, elevando os riscos de desidratação, problemas cardiovasculares e o golpe de temperatura — condição na qual a marca interna ultrapassa 40 °C e o organismo perde a capacidade de resfriamento. Especialistas reforçam a necessidade de cuidados básicos, como hidratação constante, uso de vestimentas leves e climatização dos ambientes.

Consequências além da temperatura

Os efeitos do evento climático vão muito além das altas térmicas. O período chuvoso irregular intensifica queimadas, prejudica a qualidade do ar e eleva os problemas respiratórios. Na região Sul, o perigo principal recai sobre enchentes, deslizamentos e a proliferação de enfermidades como a leptospirose.

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Para minimizar os danos, o governo federal implementou estratégias que envolvem o fortalecimento de estoques de alimentos, injeção de verbas no SUS e a ampliação dos sistemas de monitoramento meteorológico.

O que define um super El Niño

O El Niño resulta de ciclos naturais de aquecimento e resfriamento no Pacífico, alterando ventos e chuvas a cada dois a sete anos. Contudo, as mudanças climáticas têm intensificado o fenômeno, tornando-o mais rigoroso e frequente.

A classificação ocorre conforme a variação de temperatura na faixa oceânica chamada Niño 3.4. O patamar atual superou a marca histórica de 3,11 °C acima da média, justificando a alcunha informal de super El Niño devido à gravidade inédita para o clima global.