O estado de Minas Gerais tornou-se o principal foco das campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para o segundo turno. Considerado historicamente um “espelho” do país por refletir o resultado nacional desde 1989, o território mineiro é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e vive uma disputa acirrada entre os dois candidatos.

O fator decisivo dos votos mineiros A atenção dada ao estado não é por acaso, já que envolve tanto a quantidade de eleitores quanto o perfil diversificado do eleitorado local.

“O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional. […] Então, é natural que os candidatos foquem em Minas para buscar votos”, afirmou Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).

Além de ser um termômetro político, o estado também funciona como um “estado pêndulo”, com eleitores alternando preferências ao longo das últimas décadas. No primeiro turno, a abstenção em solo mineiro atingiu 22%, somando mais de 3,7 milhões de ausências.

Estratégias e mapas eleitorais distintos Os candidatos adotam táticas diferentes para tentar ampliar suas bases de apoio nas diversas regiões mineiras.

“Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras. Lula, por sua vez, foi mais votado em mais municípios. Isso mostra que há mapas eleitorais diferentes dentro de Minas e ajuda a explicar por que os dois querem voltar: cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás”, avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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Enquanto o candidato do PL tenta consolidar a vantagem obtida em 4 de outubro, quando somou 48,24% dos votos válidos contra 43,33% do petista, Lula busca reverter o cenário e recuperar terreno no estado onde venceu no pleito de 2022.

A força dos aliados políticos A capilaridade das campanhas tem contado com o forte suporte de lideranças regionais e parlamentares recém-eleitos, embora a conversão desse apoio em votos dependa de fatores específicos.

“A presença deles pode dar capilaridade às campanhas, mobilizar apoiadores e ajudar a levar a mensagem dos candidatos a públicos locais. Mas não existe transferência automática de votos: o efeito depende da identificação dos eleitores com essas lideranças e da capacidade de transformar apoio em voto e comparecimento às urnas”, afirmou Felipe Nunes.

Enquanto o lado governista aposta na visibilidade digital de figuras como o deputado federal Nikolas Ferreira e o governador eleito Cleitinho Azevedo, a campanha de Lula utiliza a força de nomes como a senadora eleita Marília Campos e parlamentares engajados nas redes sociais para engajar o eleitorado.