Articuladores políticos de 10 legendas que compõem o Centrão iniciaram conversas para reformular o sistema eleitoral brasileiro ainda este ano. O objetivo principal das siglas é frear a perda de espaço político para partidos de direita, com forte destaque para o PL.
Encontro estratégico com Hugo Motta O debate ganhou urgência após o desfecho das eleições legislativas. O PL, legenda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), assegurou 121 cadeiras para a próxima legislatura na Câmara dos Deputados, configurando a maior bancada desde 1988.
Na última quarta-feira (14), dirigentes e presidentes de 10 partidos se reuniram com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na ocasião, além de firmarem apoio à reeleição do deputado para o comando da Casa, as lideranças colocaram em pauta a alteração nas regras de votação.
Na avaliação de integrantes do Centrão, o modelo atual acaba estimulando uma espécie de “indústria de candidatos”.
Além disso, lideranças que participaram da reunião falam em “autosobrevivência” do Centrão, uma vez que o PL tomou as cadeiras justamente destes partidos.
Cenário de divergências internas Embora o tema seja tratado como prioridade por parte da base aliada, a falta de alinhamento interno ainda representa um obstáculo significativo. Parlamentares ponderam que a janela de oportunidade se fecha em 2027, momento em que o PL terá uma bancada ainda maior e maior poder de obstrução contra eventuais mudanças.
Contudo, a divergência de interesses entre as siglas e seus próprios membros dificulta a construção de um texto unificado. “Não acredito em mudança no sistema eleitoral. Ali cada um tem uma ideia diferente”, disse um parlamentar sob reserva que participou do encontro.
Modelos em debate no parlamento Atualmente, duas propostas principais dominam as negociações nos bastidores de Brasília: o sistema distrital misto e o distritão.
O modelo distrital misto conta com o apoio de presidentes partidários. Nele, os estados seriam fracionados em distritos eleitorais, onde metade das vagas ficaria com os mais votados localmente e a outra metade seria preenchida por listas fechadas definidas previamente pelos partidos.
Por outro lado, o distritão tem a simpatia de parte dos deputados e do Podemos. A proposta elimina o quociente eleitoral e o efeito dos puxadores de votos, tornando a disputa proporcional em majoritária — vencem os candidatos com mais votos de forma direta. O modelo, contudo, enfrenta forte oposição dos dirigentes partidários por enfraquecer o poder das cúpulas e beneficiar “candidatos influencers”.
Próximos passos e articulação com o Senado Para avançar na elaboração de um texto consensual, uma nova reunião entre os líderes aliados a Motta está agendada para a próxima terça-feira na residência oficial da Presidência da Câmara. Posteriormente, um encontro com os presidentes das legendas deve ocorrer em 28 de outubro.
O deputado Domingos Neto (PSD-CE), relator da proposta sobre o sistema distrital misto, deve integrar os debates. Paralelamente, alas do parlamento defendem a inclusão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nas tratativas desde a fase inicial, prevenindo impasses legislativos futuros entre as duas Casas.










