O antigo Clube do Servidor, situado às margens do lago Paranoá, em Brasília, passa por uma completa reestruturação para dar lugar ao Senado Cultural. Com uma extensão de 80.000 m², o local carrega uma trajetória marcada por diferentes fases administrativas e períodos de abandono antes de sua atual destinação.

Origens e auge cultural do complexo

Concebido em 1973 pelo engenheiro civil e arquiteto Armando Favato, o projeto original visava atender à associação dos servidores da educação, mas foi expandido por ordem do presidente Ernesto Geisel para abranger todo o funcionalismo público da capital federal. A inauguração ocorreu em 1976, oferecendo piscinas, quadras e salões que receberam grandes nomes da música brasileira nos anos 1980, como Marina Lima, Alceu Valença e a banda Legião Urbana.

A decadência começou na década de 1990 devido a sucessivas mudanças na gestão, culminando no encerramento das atividades em 1997. Nos anos seguintes, o terreno passou pelas mãos da Advocacia Geral da União e do Conselho Nacional de Justiça, chegou a sediar a mostra Casa Cor Brasília em 2009 — quando também serviu de cenário para o filme “Insolação” —, até ser destinado definitivamente ao Senado Federal.

Desafios da restauração e recuperação estrutural

Antes de iniciar a adaptação dos edifícios, as equipes enfrentaram um cenário de forte degradação. O coordenador de Projetos e Obras de Infraestrutura do Senado, Luan Ozelim, detalha as condições encontradas:

“Os cabos elétricos tinham sido arrancados à força das paredes de gesso. As louças e os equipamentos sanitários haviam sido removidos. Foi preciso, portanto, um trabalho amplo de recuperação e limpeza antes de se pensar na adaptação dos prédios ao novo uso”, afirmou o gestor sobre os danos que incluíam forros caídos, vidros quebrados, telhas retiradas e postes derrubados.

Durante os trabalhos, o antigo reservatório de água precisou de reforço estrutural, e dois espelhos d’água foram descobertos soterrados, com previsão de entrega de um deles ainda para a abertura em dezembro. O projeto arquitetônico original de Favato, famoso pelas colunas brancas em elipse na fachada, é preservado rigorosamente.

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“Nós conhecemos o apreço da população pelo prédio, e por isso nunca cogitamos interferir nesse elemento. O mármore branco das outras fachadas e o mármore rosa do piso das varandas também têm grande valor arquitetônico e estão sendo recuperados”, destacou a assessora técnica Vanessa Bhering.

Cronograma de obras e novas atrações

A modernização estrutural contempla a instalação de climatização, isolamento termoacústico e sistemas contra incêndio no antigo salão de baile, que funcionará como espaço de exibições. A primeira mostra do local já tem nome definido: “Senado em Movimento: 200 anos de história”.

As intervenções foram divididas em quatro etapas principais:

  • 1ª etapa: reforma do Bloco Administrativo, Bloco de Exposições, nova guarita, sistema viário, estacionamento, central de água gelada e eletrocentro;
  • 2ª etapa: revitalização do bloco do Espaço da Democracia;
  • 3ª etapa: modernização do bloco destinado ao Espaço Brasília;
  • 4ª etapa: restauração do Bloco Educativo.

“Em paralelo a essas etapas, ocorrerá a implementação do projeto de paisagismo, com playground, anfiteatro, área de piquenique e quadras esportivas, além da reforma do bloco de sanitários”, pontuou Vanessa Bhering sobre as melhorias externas que complementam a entrega da primeira fase prevista para o final de 2026.