O Ministério dos Transportes planeja realizar quatro leilões de concessões ferroviárias ao longo de 2027, conforme cronograma divulgado nesta quinta-feira (15.out.2026) durante evento na B3, em São Paulo. A lista de projetos priorizados para o ano compreende o Anel Ferroviário do Sudeste, a Malha Oeste, a Ferrogrão e o Corredor Leste-Oeste.
Retomada do setor ferroviário
Desde o início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023, nenhuma nova licitação de concessão ferroviária foi concretizada. O último certame federal ocorreu em abril de 2021, sob a administração de Jair Bolsonaro (PL), quando a Bahia Mineração arrematou o trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, ligando Ilhéus a Caetité, na Bahia.
Atualmente, o planejamento governamental agrupa R$ 160 bilhões em investimentos estimados, somando despesas de capital para a construção, ampliação e recuperação de malhas ferroviárias pelo país.
Cronograma de leilões e novas autorizações
No total, a programação engloba oito projetos de concessão, nove leilões de autorização ferroviária e doze terminais greenfield em novas áreas. Enquanto a primeira metade das concessões sai em 2027, o restante — formado pelo Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Rio Grande, Corredor Mercosul e Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul — tem editais previstos para dezembro do próximo ano.
Segundo as diretrizes da pasta, o Anel Ferroviário do Sudeste abre o calendário em abril, seguido pela Malha Oeste em agosto, a Ferrogrão em setembro e o Corredor Leste-Oeste em outubro.
Paralelamente, a administração federal pretende conduzir sete leilões de autorização em abril e mais dois em novembro. Esse modelo possibilita que a iniciativa privada recupere e explore malhas desativadas ou ociosas mediante contratos específicos, podendo incluir procedimentos de chamamento público e eventuais recursos estatais.
Obstáculos para viabilizar os investimentos
O avanço das licitações esbarra em barreiras como o alto custo de implantação e a exigência de financiamento a longo prazo. Ao contrário das rodovias, que arrecadam com pedágios desde o início, ferrovias dependem de uma demanda consolidada de cargas para gerar lucro.
Expectativas anteriores indicavam oito leilões ferroviários para 2026, com potencial de R$ 140 bilhões em aportes, mas os planos não avançaram para a fase de licitação devido a entraves jurídicos, ambientais e de modelagem financeira.
Como avanço regulatório, o Tribunal de Contas da União validou em agosto de 2026 uma nova formatação de chamamento público para autorizações. O Corredor Minas-Rio, com 733 km entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, será o pioneiro no formato, com certame previsto para dezembro, configurando a única disputa ferroviária do atual mandato até o momento.










