Um dispositivo inovador desenvolvido para reproduzir os fogachos característicos do climatério em homens foi apresentado durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa, ocorrido na capital fluminense entre 30 de setembro e 3 de outubro. A iniciativa, apoiada pela farmacêutica japonesa Astellas, busca ampliar a compreensão masculina sobre essa fase por meio de vivências práticas.

A criadora da tecnologia e fundadora da agência britânica Over The Bloody Moon, Lesley Salem, trouxe a peça ao Brasil com o objetivo de engajar o público masculino. “Eu queria conscientizar e cultivar a conversa em torno da menopausa. E, para ter apoio de verdade, precisamos envolver os homens nessa conversa”, defende Salem, em entrevista à VEJA SAÚDE.

Como a tecnologia térmica foi desenvolvida

O projeto do vestuário surgiu após um levantamento com cerca de 2.500 britânicas sobre os incômodos mais marcantes do período. Enquanto a névoa mental liderava as menções, os problemas relacionados à temperatura apareceram logo em seguida. “Em segundo e terceiro lugar, ficaram as ondas de calor e os suores noturnos. Descobrimos que de 70% a 80% das mulheres na perimenopausa, menopausa e pós-menopausa os vivenciam”, explica a fundadora do Over The Bloody Moon.

Na etapa seguinte, a equipe consultou 20 mil voluntárias sobre como traduzir a sensação física para termos compreensíveis. “Recebemos muitas histórias diferentes, mas a mais comum foi a sensação de que o centro do tórax estava pegando fogo, com um calor subindo em ondas. Esse foi o nosso direcionamento”, descreve Salem.

Estrutura e funcionamento do MenoVest

Batizada de MenoVest, a vestimenta cobre o pescoço e todo o tórax, contando com placas térmicas acopladas a um mecanismo elétrico. O sistema é capaz de elevar a temperatura interna até atingir 46ºC, replicando o desconforto típico relatado pelo público feminino durante os episódios de calor intenso.

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A repercussão entre profissionais da saúde

Especialistas que aceitaram testar o equipamento relataram surpresa com a intensidade do incômodo provocado pelas placas aquecidas. “É uma sensação estranha de aumento de temperatura principalmente na região peitoral, que vai subindo para a região do pescoço”, conta o ginecologista Daniel Godoy, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Para o docente, a vivência práctica ilustra o impacto profundo que os sintomas vasomotores causam no descanso e na rotina diária. “Elas acordam muito, às vezes quatro a cinco vezes por noite com esses calores intensos. Então esse é o principal ponto que piora a qualidade de vida delas, porque uma noite mal dormida é um dia mal vivido”, reflete Godoy.

O estudante de medicina Vinicius Troici, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também experimentou o artefato e mudou sua percepção sobre a condição. “Achava que fosse algo menos intenso do que realmente é”, afirma. “Quando a gente vai entrevistar as pacientes, elas falam que tem dezenas desses por dia. Agora, sentindo um, imagino como deve ser sentir 30. É realmente algo muito desconfortável.”