O conceito de morte súbita voltou a chamar a atenção da opinião pública após a repercussão dos falecimentos da modelo baiana Giane Alves, na última sexta-feira (2), e do diretor Ricardo Spencer, cujo laudo necroscópico foi divulgado nesta terça-feira (6). Embora compartilhem o mesmo nome, os episódios revelam diagnósticos clínicos distintos.

O perfil da parada cardíaca inesperada

De acordo com os registros médicos, Giane Alves tinha 32 anos e foi vítima de um infarto agudo do miocárdio. Esse tipo de ocorrência representa o falecimento rápido e imprevisto de um indivíduo aparentemente saudável, manifestando-se no intervalo de até uma hora após o início dos sinais ou em 24 horas quando o paciente não é visto com vida por testemunhas.

No Brasil, o problema é responsável por até 300 mil óbitos anualmente, concentrando cerca de metade das ocorrências de origem cardiovascular. O fator de maior impacto é o fato de atingir pessoas sem histórico prévio de cardiopatias, sendo a própria parada cardíaca o primeiro sintoma perceptível.

Fatores de risco e atendimento de emergência

Diversas disfunções cardíacas podem provocar o quadro, tais como doença coronariana, arritmias primárias, cardiomiopatia hipertrófica e cardiomiopatia dilatada. Entre os mais jovens, tais alterações costumam apresentar fundo hereditário.

A reversão do quadro é viável por meio de manobras rápidas de reanimação cardiopulmonar e uso de desfibrilador. Sobreviventes devem passar por investigação médica aprofundada e adoção de medidas preventivas, como a implantação de um cardiodesfibrilador.

Leia também

O que é a Sudep

O falecimento de Ricardo Spencer, aos 49 anos, introduziu ao debate um termo menos difundido: a Sudep, sigla em inglês para “morte súbita inesperada em epilepsia”. O fenômeno descreve o óbito abrupto de pacientes que já possuíam diagnóstico prévio para a condição, mas sem causa específica definida pelo Instituto Médico Legal.

As investigações apontam que crises convulsivas noturnas podem agravar a apneia, alterar o ritmo cardíaco e prejudicar a função cerebral, culminando em parada cardiorrespiratória. A principal forma de prevenção consiste no controle rigoroso das crises e no monitoramento noturno do paciente.