O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (1º.out.2026), que o senador Jaques Wagner (PT-BA) “não tem nada a ver” com as investigações envolvendo o Banco Master e o Credcesta. A afirmação ocorreu durante participação no “Flow Podcast”.
“Tudo que Jaques Wagner quer é ser chamado para prestar depoimento”, disse Lula durante o programa.
Investigações da Polícia Federal
Jaques Wagner foi um dos alvos da 9ª fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. A ação também teve como alvo o empresário Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio do Master. No total, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia, acompanhados de medidas cautelares como retenção de passaportes e proibição de comunicação entre os investigados. A Polícia Federal apura indícios de crimes como corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Esquema de propina apontado em delação
De acordo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em proposta de delação premiada, havia um repasse mensal de R$ 3 milhões em propina direcionado a um grupo associado ao senador. O esquema contava com dois formatos principais de pagamento: R$ 2 milhões repassados por meio de um contrato entre o Master e a PKL One — empresa de crédito consignado para servidores públicos baianos apontada pela PF como controlada por Augusto Lima e Jaques Wagner na condição de sócios ocultos — e R$ 1 milhão entregue em espécie a aliados do parlamentar.
Origens do Credcesta e o governo baiano
O Credcesta surgiu a partir da privatização da Empresa Baiana de Alimentos, processo realizado na gestão de Rui Costa (PT) no governo da Bahia e posteriormente associado a empresários da operadora PKL One, com negócios vinculados ao Banco Master e ao Banco Máxima. Segundo Lula, a gestão estadual mantinha uma iniciativa voltada a cestas básicas que deu origem ao serviço. O presidente pontuou que “Wagner vendeu para eles” e que “eles passaram a tomar conta disso”, acrescentando que “depois, eles tentaram dar entrada já aqui em Brasília para virar banco”.
Críticas à gestão de Jair Bolsonaro
O chefe do Executivo federal responsabilizou a gestão de Jair Bolsonaro (PL) pela conversão da instituição em banco, período em que Roberto Campos Neto estava à frente do Banco Central. Conforme o petista, foi a partir daquela fase que o grupo “começou a fazer maracutaia e trambique”.










