A TV Globo cancelou o debate presidencial que aconteceria às 21h30 (horário de Brasília) de uma 5ª feira (1º.out.2026), faltando poucos minutos para a sua transmissão ao vivo. A emissora comunicou a decisão na conclusão do “Jornal Nacional”, apontando um cenário de “insegurança jurídica” provocado por sentenças da Justiça emitidas de última hora.

Pronunciamento oficial da emissora

O apresentador César Tralli leu o comunicado aos telespectadores, destacando o histórico da empresa na cobertura eleitoral e criticando as interferências no planejamento do evento.

“A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. […] Nosso dever é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais. Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite”, afirmou o jornalista César Tralli, apresentador da emissora.

Decisões do TSE e do STF

O canal apontou duas determinações específicas emitidas no mesmo dia do evento. A primeira veio da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibindo a exibição do púlpito do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vedando questionamentos direcionados a ele, visto que o petista estaria ausente. O regulamento original, contudo, previa essas regras e contava com a assinatura de todas as legendas, incluindo o próprio PT.

A outra ordem jurídica partiu do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acatando solicitação do partido Solidariedade para integrar o candidato Renan Santos (Missão), inicialmente de fora da lista de convidados, revertendo uma decisão prévia do chefe do TSE, Kassio Nunes Marques.

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Critérios de participação e ausências

A legislação exige o convite obrigatório apenas para legendas com ao menos 5 parlamentares no Congresso, enquanto o Missão contava apenas com o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP). A escalação inicial contava com Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula.

Lula já havia recusado o convite na 4ª feira (30.set), e Flávio Bolsonaro desistiu no próprio dia do evento (1º.out), justificando sua saída com críticas à atuação do tribunal.