A quinta edição do Prêmio Autocuidado em Saúde ACESSA revelou os trabalhos finalistas selecionados por um júri técnico que avaliou critérios como abrangência, relevância, inovação e uso de tecnologia. Os vencedores serão anunciados em uma cerimônia presencial programada para o dia 17 de novembro, em Brasília (DF).
Inovações digitais para o bem-estar Entre os destaques na categoria de Soluções Digitais e Tecnologias Inovadoras está o projeto Vigilantes, criado pela Galileu para combater a insônia por meio de um aplicativo baseado em terapia cognitivo-comportamental (TCC) e inteligência artificial. O sistema conta com a assistente Sônia para auxiliar na mudança de hábitos e incorpora rastreamento digital de apneia do sono.
“O programa tem validação científica, com resultados apresentados em diversos congressos nacionais e internacionais, e demonstra impacto na melhora do sono, da ansiedade e da depressão”, complementa Lucas Baraças, idealizador da Vigilantes.
A mesma categoria traz o Kdoctor 4.0, sistema de telemedicina voltado para comunidades ribeirinhas e indígenas isoladas no município de Jordão, no Acre. A solução utiliza cabines portáteis alimentadas por energia solar para conectar pacientes a profissionais de saúde por videochamada, contando com inteligência artificial para transcrição e tradução para o idioma Hãtxa Kuin.
“O Kdoctor é financiado pela empresa Foxconn utilizando verbas da Lei de Informática e tem o propósito de levar assistência médica para uma população que é a mais vulnerável do país”, observa Ricardo Moura, gerente de projetos da Fundação Paulo Feitoza (FPFtech).
Monitoramento contínuo e vestíveis A Oncoclothes concorre com o desenvolvimento de roupas inteligentes equipadas com sensores acoplados ao tecido para monitorar temperatura, oxigenação e batimentos cardíacos, enviando os dados para um aplicativo com o histórico do paciente.
“Como sou paciente oncológica desde 2015, criei a Oncoclothes, uma marca de roupas adaptadas para facilitar o acesso dos enfermeiros a cateteres, dando mais praticidade e conforto a quem está se tratando”, conta Samantha Leal, à frente da iniciativa.
Prevenção e promoção à saúde comunitária Na frente de prevenção, o Programa Multidimensional e Assistencial de Gestão para Idosos Caidores (Magic), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foca no treinamento da habilidade de levantar-se do chão com segurança após quedas.
“O diferencial do projeto é o treino de ir para o chão”, destaca a fisioterapeuta Lívia Maria do Nascimento.
Já a Associação Favela Compassiva atua em comunidades do Rio de Janeiro para capacitar moradores leigos e vizinhos como agentes compassivos, fortalecendo a autonomia no suporte a pacientes com doenças que ameaçam a vida.
“Pensamos em quem está acompanhando o paciente nessa fase tão difícil e entendemos que o adoecimento desses cuidadores é social e espiritual, mais do que a dor física propriamente dita”, analisa o enfermeiro Alexandre Ernesto Silva.
Saúde da mulher e equidade no atendimento A parceria entre a Roche e a organização social SAS Brasil concorre com um projeto itinerante de saúde da mulher que une exames de mamografia e rastreamento à navegação das pacientes até o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Não adianta chegar, fazer uma mamografia, entregar um laudo e ir embora. Assim a gente só vai entregar um problema, não uma solução”, pondera Adriana Lima, gerente da Roche.
Letramento e educação em saúde O Instituto Ame Sua Mente integra os finalistas com um programa voltado a capacitar educadores da rede pública a reconhecer sinais de sofrimento psíquico e promover o autocuidado nas escolas.
“O autocuidado do educador é um módulo de abertura, porque é fundamental primeiro ter esse olhar de valorização para quem está na linha de frente, mostrando aos professores a importância de olhar não apenas para os alunos, mas para eles próprios”, diz Ana Carolina D’Agostini, especialista do instituto.
Outro destaque em letramento é o Projeto Saúde e Alegria, que transforma moradores e educadores amazônicos em protagonistas da produção de conhecimento por meio de cartilhas, podcasts e do tradicional Gran Circo Mocorongo. Por fim, a UFSCar marca presença com um curso inédito voltado à saúde cerebral e prevenção de demências para professores da educação básica.










