Um levantamento inédito realizado pela Ascema Nacional revelou que quatorze políticos que disputam as eleições de 2026 concentram mais de R$ 100 milhões em sanções ecológicas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ao longo da última década.

Critérios da investigação Foram incluídos na reportagem apenas os nomes que acumulam individualmente ao menos R$ 1 milhão em autuações. A lista abrange postulantes aos cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e também suplentes, cujas infrações englobam desmatamento, destruição de vegetação nativa, exploração indevida de unidades de conservação e funcionamento de indústrias potencialmente poluidoras sem licença.

Região amazônica lidera registros Metade dos políticos investigados possui ligações com sanções lavradas no estado do Pará, com forte concentração em municípios como Altamira e São Félix do Xingu. Os flagrantes ocorreram majoritariamente nos limites ou no interior da Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, apontada como um dos locais mais afetados pelo desmatamento ilegal na Amazônia nos últimos anos. Por outro lado, algumas cobranças milionárias estão com exigibilidade suspensa na Justiça, a exemplo dos casos de Daniel Messac, Ulisses Vieira e Tobias Laurindo, cujos valores travados judicialmente ultrapassam R$ 54 milhões.

Impacto eleitoral das autuações Especialistas esclarecem que possuir uma sanção pecuniária ou administrativa, ainda que de valor expressivo, não torna um cidadão inelegível por si só. De acordo com a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 64/1990), o impedimento eleitoral por motivos ambientais exige uma condenação criminal transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, e não apenas penalidades de caráter administrativo.

Avaliação do histórico político Apesar da permissibilidade legal, entidades ligadas à preservação defendem que o passado dos postulantes nessa pauta é um critério fundamental para o eleitorado. Kristiane Mazzetti, coordenadora da frente de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, pontua que o eleitor pode e deve considerar o histórico do candidato na agenda socioambiental como informação relevante para avaliar candidatura.

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“Principalmente quando se tratam daqueles candidatos à reeleição, integrantes de bancadas e/ou de partidos com históricos recentes de desmonte da legislação ambiental – inclusive das salvaguardas que atuam no monitoramento e fiscalização – e que podem se beneficiar da fragilização do controle desses crimes ambientais”.

Perfil dos multados e principais nomes O mapeamento aponta que o perfil predominante entre os autuados é o de homens, empresários e profissionais do setor agropecuário com atuação em cidades situadas no chamado arco do desmatamento amazônico. Entre os nomes com maiores montantes estão Daniel Messac de Morais (Mobiliza-GO), Romero Jatobá Cavalcanti Neto (PSB-PE) e José Lopes Junior (Republicanos-AC), acompanhados por outros políticos de diferentes legendas que somam milhões em dívidas com os órgãos de fiscalização federal.