A corrida presidencial apresenta um cenário de empate técnico no panorama agregado, mas uma análise detalhada dos levantamentos estaduais da Quaest revela padrões claros e distintos por baixo dessa aparente estabilidade nacional.

O mapa do primeiro turno e a calcificação

O cenário eleitoral brasileiro divide-se atualmente em três realidades geográficas bem definidas. O presidente Lula aparece na liderança em 10 estados, abrangendo todo o Nordeste e o Amapá. Por outro lado, Flávio lidera em oito unidades federativas, incluindo Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima. Outros nove estados registram empate dentro da margem de erro, grupo que engloba colégios eleitorais decisivos como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O comportamento do eleitorado demonstra forte repetição em relação ao pleito anterior. O voto direcionado a Lula hoje apresenta uma correlação de 0,98 com o resultado do primeiro turno de 2022, evidenciando uma forte calcificação numérica. O mesmo fenômeno ocorre no campo adversário, onde a intenção de voto em Flávio repete o padrão do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, com índice de correlação de 0,95, indicando que a base de apoio se manteve mesmo com a troca de nome.

Crescimento regional e o papel dos independentes

O avanço de Lula concentra-se no Nordeste, onde sua base já era historicamente sólida, registrando altas em estados como Maranhão, Bahia, Paraíba e Sergipe. Fora dessa região, as variações são mínimas. Já Flávio apresenta melhora em relação ao desempenho anterior no Norte, no Centro-Oeste e na Bahia, embora sofra quedas em locais onde o eleitorado conservador conta com alternativas políticas locais, como no Distrito Federal e em Goiás.

Nesse tabuleiro, a parcela de eleitores independentes surge como o fator determinante para o desfecho da disputa. Esse grupo representa de 24% a 36% do eleitorado nos estados, atingindo picos expressivos no Rio de Janeiro, Amazonas, Tocantins, Rio Grande do Sul e Goiás.

Aprovação de governos e o fator medo

A avaliação dos governos estaduais e federais ajuda a desenhar esse panorama. A gestão federal apresenta saldo positivo no Nordeste, no Amazonas e no Pará, mas enfrenta rejeição em todo o Centro-Sul. Minas Gerais e Tocantins aparecem empatados nesse quesito, figurando exatamente entre os territórios em disputa.

O fator psicológico também molda as escolhas nas urnas. No Nordeste, quase 60% do eleitorado demonstra temor em relação ao retorno da família Bolsonaro, enquanto no Norte e no Sul o receio de um novo mandato de Lula alcança até 64%. O medo simultâneo de ambas as opções política atinge 8% em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás, concentrando ali o contingente mais volátil e disputado.

Expectativa de vitória e volatilidade

Um dado curioso levantado pelas pesquisas diz respeito à percepção de favoritismo. Mesmo em locais onde aparece empatado ou atrás nas intenções de voto, Lula é visto por parcelas significativas do eleitorado como o favorito, situação observada em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Flávio é apontado como vitorioso em apenas sete estados.

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A volatilidade permanece como uma variável importante. Entre os eleitores que já declaram voto, um percentual que varia de 11% a 23% admite a possibilidade de alterar a escolha antes do pleito. Os estados com maior índice de eleitores voláteis são Paraná, Amapá, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal.

Cenário para governadores e demandas da população

Nas disputas estaduais, a dinâmica apresenta particularidades e uma tendência a definições precoces. Pelo critério mais rigoroso, que exige um líder acima da soma dos demais fora da margem de erro, sete estados já contam com um vencedor provável logo no primeiro turno, enquanto outros 14 seguem na margem. Contudo, a alta aprovação de gestões estaduais não se converte de forma automática em votos para os candidatos apoiados pelos governadores.

Na corrida espontânea para o governo estadual, a indecisão ainda é alta, variando de 18% no Amapá a 65% no Mato Grosso, com mais da metade dos eleitores sem citar nenhum nome em 13 estados. O cenário é ainda mais aberto para o Senado, onde em 22 estados mais de 60% da população não menciona candidatos na espontânea, chegando a 79% em São Paulo.

Por fim, as principais cobranças da sociedade variam conforme a região. A segurança pública lidera as preocupações no Rio de Janeiro, no Ceará e na Bahia. A saúde desponta como o principal problema na maior parte dos demais estados, enquanto no Rio Grande do Sul as consequências das enchentes ainda somam 25% das menções. O retrato geral indica um país dividido, com eleitores independentes no Centro-Sul definindo os rumos da eleição na reta final.