A Fifa decidiu conceder aos integrantes de seu conselho a oportunidade de examinar os arquivos referentes ao cancelado projeto de comercialização de fatias da Copa do Mundo para o capital privado, conhecido como Fifa Forward Enterprise.

Visita restrita à sede na Suíça

O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, disparou um comunicado aos dirigentes na 2ª feira (2.nov), chamando-os a expressarem o desejo de inspecionar os papéis seguindo regras rígidas na base da organização situada em Zurique, na Suíça, conforme relatado por um informante da agência Reuters.

Essa atitude se deu justamente no dia em que vencia o limite dado pela Uefa para que a Fifa prestasse esclarecimentos acerca da chefia de Gianni Infantino, pressionado por federações da Europa contrárias à sua recondução ao cargo. Em outubro, a entidade europeia havia enviado um ofício cobrando explicações sobre assuntos como o Fifa Forward Enterprise e o Prêmio Fifa da Paz.

“A Fifa considerou inviável o prazo de duas semanas imposto pela Uefa para responder a mais de 100 perguntas, dado o foco recente da Uefa na organização de uma nova Copa do Mundo juvenil em Baku, no Azerbaijão”, disse a fonte. “A Fifa afirmou que responderá aos membros do conselho em tempo oportuno, e o convite para visualizar documentos importantes é exclusivo dos membros do conselho”, acrescentou.

Cronograma eleitoral e bastidores

Infantino disputará a reeleição no mês de março de 2027, sendo que a data-limite para o protocolo de candidaturas de eventuais concorrentes vai até 18 de novembro.

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Detalhes do projeto milionário

Através do Fifa Forward Enterprise, a instituição gestora do esporte pretendia reunir a gestão e os direitos comerciais de seus principais torneios, como o Mundial, em uma empresa subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões. A companhia planejava negociar até 20% de suas ações com fundos privados, em um negócio avaliado em US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões).

A iniciativa, contudo, acabou revogada após forte resistência, inclusive interna. A Uefa foi pioneira no rechaço, ameaçando um boicote de suas 55 federações filiadas aos campeonatos da Fifa. A Concacaf e a AFC adotaram postura idêntica de oposição.

O dirigente máximo do futebol mundial recuou da ideia em 31 de julho, pontuando por meio de comunicado oficial que a estratégia foi descartada após se constatar que ela “criou divisões” e perdeu sua finalidade original.