A atriz Luiza Mariani, de 46 anos, transformou uma das fases mais desafiadoras de sua vida em arte. Desde 2018, após colocar silicone, ela realizava exames anuais de mamografia religiosamente. No entanto, em novembro de 2024, um procedimento de rotina trouxe um alerta inesperado quando a mastologista informou: “Vamos precisar fazer uma biópsia”.

O diagnóstico de câncer de mama e as cirurgias A artista questionou a médica na ocasião: “Por quê?”. A resposta veio em seguida: “Alguma coisa errada?”. “Só preciso tirar uma dúvida”, explicou a médica. “Fica tranquila”. Quinze dias depois, o laudo confirmou o “Carcinoma ductal in situ da mama com foco suspeito de invasão estromal”.

Diante da situação, a famosa passou por duas cirurgias: a primeira em dezembro de 2024 e uma mastectomia dupla em fevereiro de 2025. Vale lembrar que ela já havia feito outras duas intervenções nos seios anteriormente: aos 22 anos, para redução, e aos 38, para levantamento.

Do diagnóstico aos palcos do Rio de Janeiro Dessa vivência surgiu o monólogo O Que o Meu Peito Carrega Sobre Mim. A produção aborda a história do seio feminino desde a Inquisição até o mercado de silicone dos anos 1990, passando por figuras como Diana de Éfeso e Santa Águeda. A direção é de Bia Lessa e a coprodução conta com o ator Pablo Sanábio. O espetáculo estreia no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro.

Em entrevista sobre o projeto, Luiza detalhou o processo criativo e sua trajetória recente:

“Como” e “quando” surgiu a ideia de transformar sua história (ou parte dela) no monólogo O Que o Meu Peito Carrega Sobre Mim? Luiza Mariani: “Depois da última cirurgia, em fevereiro de 2025. Foi quando me dei conta de que tinha passado a vida inteira negociando com o meu peito: grande demais, pequeno demais, caído demais, doente demais. Quatro cirurgias, cinco peitos diferentes.”

Você transformou sua jornada em escritos num caderno e, mais adiante, no texto de um monólogo. Escrever sobre sua experiência foi terapêutico? Por quê? Luiza Mariani: “Foi, mas não do jeito que se imagina. Escrever não me acalmou. Me organizou.”

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A peça aborda, entre outros temas, câncer de mama e mastectomia dupla. Do diagnóstico ao tratamento, como conseguiu superar o momento mais difícil? Luiza Mariani: “Não sei se superei. Atravessei. E ninguém atravessa sozinha. Tive a minha família, as amigas, uma equipe médica cuidadosa. E tive a banalidade, que salva: crianças atrasadas para a escola, café preto, tinta no cabelo…”

Por falar em família, como o seu marido reagiu ao seu diagnóstico de câncer de mama? A mãe dele morreu de câncer de mama há 20 anos, não foi? Luiza Mariani: “Foi. E isso estava no ar desde o primeiro minuto. Ele estava fora do Rio quando fiz o exame e veio a suspeita. Levei o dia todo para contar pra ele.”

O que você pretende com o espetáculo O Que o Meu Peito Carrega Sobre Mim? Inspirar outras mulheres a viverem em paz com seu próprio corpo? Luiza Mariani: “Não tenho a pretensão de ensinar ninguém a viver em paz com o corpo. Eu mesma ainda estou aprendendo. O que eu quero é abrir uma pergunta. O peito feminino quase nunca foi de quem o carrega. Sempre serviu a alguém: ao desejo, à fé, ao mercado, à medicina.”

A peça segue em cartaz até o dia 20 de dezembro, buscando gerar reflexões profundas sobre a autonomia feminina em relação à própria saúde e estética.