Em breve, mulheres que estão na menopausa e convivem com problemas como o ressecamento vaginal, coceira nas partes íntimas e até dor na relação sexual terão uma nova opção de tratamento à disposição.

Trata-se do Lyra, comprimido vaginal de estradiol de baixa dosagem, produzido pela farmacêutica brasileira Libbs.

Segundo estimativa da empresa, o medicamento de ação local para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa deve estar disponível nas farmácias a partir de fevereiro de 2027. O preço ainda não foi definido.

Hoje em dia, queixas como a atrofia e a dor nas partes íntimas associadas à queda hormonal do climatério são tratadas com terapia hormonal local, com aplicação de géis e cremes na vagina para a lubrificação e renovação do tecido.

A estratégia de lançar um comprimido para esse mesmo objetivo tem como vantagem eliminar incômodos provocados pelos produtos líquidos.

“Essa nova forma evita a sensação de ter um gel ou creme escorrendo na roupa íntima, o que aumenta a adesão ao tratamento”, afirma a ginecologista Thalita Russo Domenich, consultora médica do laboratório nacional.

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Segundo estudo publicado na revista Menopause que avaliou mais de 2,2 mil mulheres na pós-menopausa em tratamento para a síndrome geniturinária, 83% das que utilizam comprimidos vaginais aderem à terapia por pelo menos 6 meses, enquanto a adesão entre as que usam cremes é de 54% no mesmo período.

Como é aplicado?

Indicado para sintomas moderados e severos da síndrome geniturinária, o medicamento tem o formato de um comprimido pequeno que deve ser aplicado no canal vaginal.

“Ele vem com um aplicador, que a paciente utiliza para introduzir o comprimido no canal. Lá, o remédio se dissolve rapidamente com o calor do próprio corpo. A absorção é imediata”, explica Domenich.

No início do tratamento, a aplicação deve ser diária. Após a adaptação, é chegada a fase de manutenção, na qual a paciente pode utilizar o medicamento por duas vezes na semana, de forma contínua. “O uso deve ser mantido regularmente, pois, ao interromper o tratamento, a atrofia e os outros sintomas retornam”, alerta a médica.

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Como age no organismo?

Por se tratar de um estradiol de baixa dosagem — o medicamento contém apenas 10 microgramas (10mcg, equivalente a 0,00001 grama) do hormônio —, a ação é apenas local, não tendo efeito em outras partes do corpo, conforme conclui a literatura médica.

Por isso, ele é utilizado apenas para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa, não agindo na solução de outras queixas associadas ao climatério, como fogachos, insônia, névoa mental etc.

Também pela baixa dosagem e por não chegar a ter ação no útero, o medicamento a base de estradiol (um tipo de estrogênio) não provoca crescimento do endométrio, como mostra uma revisão sistemática publicada em 2019 também na revista Menopause. Por isso, a administração não precisa estar associada a um progestógeno.

“Ainda, devido à baixa absorção, não há efeitos colaterais sistêmicos relevantes associados ao medicamento”, garante a porta-voz.

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Contraindicações

Ainda assim, por se tratar de um medicamento hormonal, ele é contraindicado a pacientes que tiveram cânceres hormonodependentes (isto é, que são sensíveis e podem crescer com o contato hormonal, como é o caso de alguns tumores de mama, ovário e útero), hiperplasia endometrial (crescimento excessivo da parede interna do útero), sangramento vaginal inexplicado, problemas de fígado descompensados, histórico de trombose, infarto e AVC, e porfiria (doença rara do sangue), de acordo com a bula.

Além disso, mulheres grávidas ou que estão amamentando também não podem tomar. O uso deve ser feito com indicação e acompanhamento de um médico de confiança.

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