O ator e apresentador Carlos Alberto da Nóbrega, de 90 anos, está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, aguardando a colocação de um marca-passo. A cirurgia estava prevista para ontem, mas foi adiada para esta terça-feira (20).
De acordo com informações disponibilizadas à imprensa, o artista, que já sofria com insuficiência cardíaca, viu seu quadro ser agravado por uma infecção causada pelo vírus Coxsackie tipo 2. Após apresentar um episódio de bradicardia (uma arritmia em que o coração bate muito devagar), foi indicada a necessidade do implante cardíaco.
O que chamou atenção, porém, foi o agente causador das complicações em Carlos Alberto: os Coxsackie são vírus mais conhecidos por infecções típicas da infância, como a mão-pé-boca, e raramente aparecem associados a complicações sistêmicas preocupantes como a vivenciada pelo ator.
Entenda melhor o que é esse vírus e quando o quadro pode apresentar complicações mais severas.
Vírus Coxsackie é mais conhecido por infecções na infância
Os coxsackievírus são um tipo de patógeno muito disseminado, considerados altamente contagiosos, por meio do contato direto ou indireto (através de superfícies contaminadas) com fezes e fluidos de uma pessoa doente.
Parte da família dos enterovírus, que inclui aqueles que causam a poliomielite, os vírus Coxsackie são especialmente comuns na infância, quando o sistema imunológico ainda está em formação e a criança é exposta a esses patógenos pela primeira vez.
No entanto, como o caso de Carlos Alberto da Nóbrega mostra, é possível contrair esses vírus em qualquer idade.
No começo da vida, o Coxsackie está relacionado a incômodos frequentes entre os pequenos, especialmente após entrarem na creche ou escola e começarem a conviver com outras crianças, como a doença mão-pé-boca e a herpangina.
Na grande maioria dos casos, essas infecções são autolimitadas: podem causar lesões dolorosas na pele e nas mucosas, além de conjuntivite e febre (que pode ser alta), mas costumam ceder sozinhas sem tratamento específico em cerca de uma semana a 10 dias.
Mas há situações em que a doença se torna mais grave, podendo afetar os órgãos internos.
Quando o quadro pode se agravar?
Os vírus Coxsackie se dividem em dois grandes grupos. Aquele mais conhecido e recorrente é o grupo A, composto por 23 sorotipos conhecidos, com a manifestação da infecção geralmente ficando restrita à pele, aos olhos e à boca.
Já no grupo B, que conta com seis sorotipos, o vírus Coxsackie pode levar a complicações sistêmicas mais relevantes. Embora também aqui possam surgir os sintomas menos preocupantes da doença, como lesões cutâneas e nas mucosas, os Coxsackie B são conhecidos pelo potencial de acometer órgãos como fígado, pâncreas e coração, onde produzem a miocardite, uma inflamação do músculo cardíaco.
Além do tipo de vírus, também é determinante o estado geral de saúde do indivíduo, sobretudo sua imunidade. É por isso que ele costuma exigir um alerta maior em recém-nascidos e em idosos, grupos que naturalmente têm as defesas mais fracas. Até o Coxsackie A pode gerar problemas nessas situações, evoluindo para uma meningite asséptica, por exemplo.
No caso de Carlos Alberto da Nóbrega, a informação divulgada oficialmente diz que o apresentador contraiu o Coxsackie “tipo 2”, sem informar a letra. Essa classificação confunde, já que o “tipo 2” existe tanto nos Coxsackie A quanto nos B. Considerando que o ator teve complicações cardíacas, porém, é provável que seja um caso do vírus B.
Mesmo quando isso ocorre, a miocardite causada pelo Coxsackie costuma ser temporária, sem gerar sequelas mais duradouras. Entretanto, em situações raras ou em pacientes que têm problemas cardíacos pré-existentes, como era o caso de Carlos Alberto com sua insuficiência, essas complicações podem exigir intervenções mais invasivas e imediatas, incluindo a colocação de marca-passo.










