O renomado cantor, compositor e pianista Benito di Paula faleceu aos 84 anos, na capital paulista, em decorrência de complicações geradas por um câncer de próstata. O artista, conhecido por eternizar clássicos do samba e da música popular brasileira ao som do seu piano, tratava a enfermidade há aproximadamente um ano.

O impacto da doença no Brasil

O tumor na próstata figura como o segundo tipo de neoplasia mais comum entre os homens no país, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Projeções oficiais indicam dezenas de milhares de novos casos anuais, com a incidência e o risco de mortalidade crescendo consideravelmente a partir dos 60 anos, tornando a idade um fator determinante.

A dinâmica do desenvolvimento do tumor

Localizada próxima à bexiga, a glândula prostática é encarregada de sintetizar elementos que compõem o sêmen. O problema surge quando ocorre a proliferação desordenada dessas células. Inicialmente, o tumor tende a permanecer restrito e apresenta crescimento lento, muitas vezes sem manifestar sintomas perceptíveis, fase em que exibe elevados índices de cura por intermédio de intervenções cirúrgicas ou radioterapia.

Em cenários específicos e de baixo risco, o acompanhamento médico periódico substitui a intervenção imediata. Contudo, com a progressão, a patologia pode atingir tecidos vizinhos, como as vesículas seminais, ou se espalhar por vias sanguíneas e linfáticas, desencadeando o processo de metástase.

“É comum que a doença permaneça localizada por meses ou anos antes de avançar para estruturas próximas e, posteriormente, desenvolver metástases”, explica André Bacellar, oncologista da Oncoclínicas.

Mesmo diante de um quadro avançado, abordagens terapêuticas com intuito curativo ainda são viáveis. “Com os avanços tecnológicos, tanto na cirurgia quanto na radioterapia, também é possível adaptar a abordagem às características de cada caso, aumentando as chances de sucesso”, diz Bacellar. “Quando a doença é descoberta em sua fase inicial, o prognóstico costuma ser muito bom”, reforça o médico.

O comportamento da enfermidade e suas metástases

Especialistas apontam que a progressão costuma ser gradual. Denis Leonardo Jardim, oncologista clínico do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, aponta que “em muitos casos, podem transcorrer de 10 a 20 anos entre o surgimento da lesão na próstata e o desenvolvimento de estágios mais avançados”. No entanto, o comportamento varia conforme o paciente. “Existem tumores indolentes, que não chegam a representar uma ameaça à vida do homem, enquanto outros são agressivos e podem produzir metástases em poucos anos”, explica.

Quando a disseminação ocorre, os ossos representam o destino mais frequente, além de acometer linfonodos e outros órgãos. As manifestações englobam dores ósseas persistentes, elevação no risco de fraturas, anemia, fadiga intensa, perda de peso e complicações renais provocadas pela obstrução urinária.

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Abordagens terapêuticas e controle

O combate aos estágios metastáticos envolve o bloqueio de hormônios masculinos para privar o tumor de seu estímulo principal, frequentemente associado a terapias-alvo e quimioterapia. Embora a cura se torne menos provável com a disseminação para órgãos distantes, o controle rigoroso da doença viabiliza longos períodos de estabilidade.

Estatísticas internacionais apontam taxas de sobrevida expressivas para diagnósticos precoces, enquanto quadros com metástase exigem uma mudança de foco. “O objetivo é frear a progressão, fazer a doença regredir, aliviar sintomas, preservar qualidade de vida e prolongar a sobrevida. Mesmo sem cura, é uma doença muito controlável e tratável atualmente”, diz Jardim.

A importância da prevenção e do diagnóstico

O caráter silencioso do tumor representa o principal obstáculo no combate à enfermidade, uma vez que os estágios iniciais não provocam dor ou sangramento, e os sintomas tardios frequentemente se confundem com o aumento natural da glândula associado ao envelhecimento.

Por essa razão, urologistas recomendam a realização rotineira de exames preventivos, como a dosagem de PSA e o toque retal. As diretrizes indicam o início das avaliações aos 50 anos para o público geral, e aos 45 anos para homens negros ou indivíduos com histórico familiar da condição.

Sinais de alerta — como dificuldade para urinar, diminuição na força do jato urinário, aumento na frequência miccional e presença de sangue — exigem avaliação médica imediata, independentemente da faixa etária.