As campanhas presidenciais de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no rádio durante o segundo turno direcionaram o foco estratégico para críticas ao adversário, além de pautar debates sobre “mudança” e o “fim da escala 6×1”, conforme apontam dados de um levantamento recente.
Análise das inserções e termos mais citados O material avaliado passou por registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e compreende as transmissões veiculadas entre os dias 8 e 15 de outubro. Durante esse período, o candidato do PL apresentou 15 inserções inéditas, totalizando 1.199 palavras, com destaque para os termos “Brasil” (29 vezes), “Flávio” (22 vezes) e “Lula” (18 vezes).
Por sua vez, a coligação petista registrou 17 inserções — sendo 10 originais e 7 repetidas —, alcançando 1.415 palavras. O nome “Lula” apareceu em 23 ocorrências, enquanto “Flávio” foi citado 16 vezes e a expressão “fim da escala 6×1” somou 15 menções. Cabe ressaltar que conectivos, artigos, preposições e verbos sem contexto não entraram na contagem.
Mudanças de rota e o medo do adversário A recorrência com que a equipe petista menciona o adversário político alinha-se diretamente ao planejamento traçado para esta etapa da disputa. Depois de priorizar a divulgação das realizações do mandato anterior no primeiro ciclo e terminar atrás na contagem de votos, os estrategistas de Lula ajustaram o rumo e passaram a explorar o receio que o eleitorado nutre em relação a uma possível vitória da oposição.
Dados de uma pesquisa Quaest divulgada em uma quarta-feira (14) mostram que o temor do retorno da família Bolsonaro ao poder empata tecnicamente com o receio de continuidade da gestão atual, registrando 43% de menções para cada lado.
Aposta na renovação e pautas do cotidiano Enquanto isso, a chapa liberal busca consolidar o discurso de renovação para captar o voto dos eleitores descontentes com o governo federal. O lema “O Brasil quer mudança” transformou-se no eixo central das mensagens propagadas pelo candidato do PL.
Aliados de Flávio indicaram anteriormente que o bloco pretendia centrar esforços nas propostas do postulante, avaliando que a abordagem de questões práticas do dia a dia — a exemplo de endividamento, alta de preços e segurança pública — apresentou bons resultados na fase inicial da disputa.
O impacto da escala 6×1 na reta final O debate em torno do fim da escala 6×1, aprovado em uma sexta-feira (16), ganhou relevância crucial para ambos os concorrentes nos momentos derradeiros da campanha. Enquanto o petista adotou a medida como uma de suas principais bandeiras políticas, o representante do PL inicialmente manifestou oposição, defendendo a discussão de modelos baseados em contratação por hora trabalhada.
Contudo, pressionado pelo avanço do tema, o candidato do PL acabou revendo sua postura e votou a favor da medida no Senado Federal. A votação registrou apenas uma divergência contrária, vinda do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que atuou como vice na chapa de Jair Bolsonaro.










