Operado nesta terça-feira (13) para remover um nódulo no pulmão, o papa Leão XIV recebeu um diagnóstico de câncer após o tumor ser analisado.
Aos 71 anos, o líder da Igreja Católica tem um adenocarcinoma pulmonar, subtipo de tumor maligno mais comum no órgão, especialmente em pessoas sem histórico de tabagismo, como é o caso do pontífice.
A confirmação da doença também chamou atenção para o fato de que Leão XIV tem histórico de câncer em parentes próximos: a mãe dele, Mildred Martinez, morreu em 1990, aos 77 anos, após passar por sessões de quimioterapia. E o irmão mais velho do papa, Louis Prevost, de 74 anos, está atualmente hospitalizado na Flórida para tratar a doença.
Mas, afinal, até que ponto um histórico familiar de câncer aumenta a chance de sofrer com um tumor maligno no pulmão, como ocorre com o papa?
Histórico familiar aumenta a chance de câncer no pulmão?
É algo bem documentado pela ciência: se você tem parentes com câncer de pulmão, também há uma chance maior de desenvolver a doença.
Mesmo quando o problema é causado pelo tabagismo (ou seja, sem influência genética como fator preponderante), a exposição continuada à fumaça pode colocar em risco os parentes, na condição de “fumantes passivos”.
Já se o câncer não tem origem no hábito de fumar, o risco médio de ter a doença é cerca de 1,51 vez maior em quem tem antecedentes familiares.
Essa é a conclusão de um amplo estudo que analisou mais de 24 mil casos de câncer pulmonar e controlou os resultados para eliminar fatores que poderiam falsear os números, como o próprio tabagismo. A chance de ter câncer de pulmão é ainda mais alta quando um dos afetados é um irmão.
No caso do papa Leão XIV, porém, cabe uma observação importante: não há informações públicas sobre o tipo de câncer enfrentado pela mãe ou pelo irmão do pontífice.
Embora haja uma forte associação entre tumores pulmonares entre parentes por razões genéticas, a relação é muito mais fraca quando cada pessoa tem um câncer diferente. Nesses casos, a influência do tabagismo parece importar mais, algo que não se aplica ao caso do papa.
Além do hábito de fumar e do histórico familiar, um câncer de pulmão também pode se originar da exposição contínua à poluição ou a substâncias tóxicas, e até mesmo de alterações genéticas espontâneas e não hereditárias, sem explicação aparente.
Qual o prognóstico do papa?
Ainda não há informações confirmadas pelo Vaticano sobre os próximos passos do tratamento do papa Leão XIV ou o prognóstico do quadro. No entanto, adenocarcinoma detectados precocemente costumam ter alta chance de sobrevida após cinco anos do diagnóstico, superando os 90%.
Quando a cirurgia é possível, como é o caso do pontífice, é provável que o diagnóstico tenha ocorrido em estágio inicial. Caso isso se confirme, o prognóstico tende a ser positivo.
Ainda assim, pode ser necessário que o papa precise realizar tratamentos complementares, como quimioterapia, imunoterapia e radioterapia, a depender dos achados nos exames realizados a partir de agora e da avaliação médica.
Além de uma internação por febre tifoide em 1985, não há informação de outros problemas de saúde mais sérios enfrentados pelo papa antes da descoberta do câncer atual. A ausência de comorbidades conhecidas também é um fator que costuma melhorar o prognóstico no tratamento de um câncer.










