A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado na noite de quarta-feira (14/10) ganhou forte repercussão na imprensa internacional, sendo tratada como uma expressiva vitória política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do segundo turno. A proposta passou em dois turnos expressivos, acumulando 75 votos favoráveis e apenas um contrário, o que dispensa novo retorno à Câmara e abre caminho para a promulgação pelo Congresso.

Repercussão da imprensa mundial

A agência Reuters classificou o andamento como a maior reformulação dos direitos trabalhistas brasileiros em décadas, destacando que a medida “Senado do Brasil aprova jornada de trabalho mais curta em vitória para Lula”. O veículo também chamou atenção para o apoio transversal de parlamentares, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do atual presidente na corrida presidencial, que antes se posicionava contra a alteração.

Outros grandes nomes do jornalismo global, como Associated Press, The Guardian, Le Monde e Deutsche Welle, enfatizaram que a mudança na legislação trabalhista chega para dar fôlego à campanha do petista e consolidar sua popularidade junto ao eleitorado.

Origem do movimento e articulação política

O avanço da pauta é fruto direto de uma mobilização popular iniciada após a viralização de um vídeo gravado pelo então balconista de farmácia Rick Azevedo no final de 2023. Ele acabou eleito vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL no ano seguinte e garantiu uma cadeira na Câmara dos Deputados para 2027.

Com a repercussão do desabafo nas plataformas digitais, a pauta ganhou força nacional e contou com o reforço da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Em fevereiro de 2025, a parlamentar apresentou uma proposta que foi anexada a um texto anterior, protocolado em 2019 pelo ex-deputado petista Reginaldo Lopes e que estava parado no Legislativo.

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Cronograma de implementação e novas regras

O texto final aprovado pelos senadores é exatamente o mesmo que havia passado pelo crivo dos deputados em maio, evitando assim um novo ciclo de tramitação.

A nova legislação determina que a exigência mínima de duas folgas semanais comece a valer 60 dias após a promulgação. Enquanto isso, o corte na jornada máxima semanal de 44 para 40 horas ocorrerá de forma gradual: primeiro cairá para 42 horas após o mesmo prazo inicial de dois meses, chegando ao patamar definitivo de 40 horas doze meses depois. Além disso, a lei assegura que os empregados contemplados não terão perdas salariais.