A disputa pela sucessão no comando da Câmara dos Deputados já movimenta os bastidores em Brasília, mesmo com o pleito marcado apenas para fevereiro do próximo ano. Pessoas próximas ao presidente da casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), avaliam que o cenário está completamente em aberto e iniciaram uma articulação para assegurar a manutenção da cadeira.
H2: Estratégia de autoproteção do Centrão
Apesar do crescimento expressivo da bancada conservadora, parlamentares do Centrão acreditam que o grupo adotará um movimento focado na autoproteção para evitar que o bolsonarismo concentre um poder excessivo sobre o Poder Legislativo. O argumento central é que o Congresso ganhou protagonismo nos últimos anos justamente por manter independência em relação ao Palácio do Planalto, dinâmica que viabilizou o avanço das emendas parlamentares.
H3: Cálculo político e resistência ao PL
Lideranças políticas avaliam que o Partido Liberal cometeu um equívoco estratégico ao antecipar o interesse em liderar simultaneamente a Câmara e o Senado.
“O PL cresceu, mas dificilmente terá, ao mesmo tempo, a presidência da República, da Câmara e do Senado, isso enfraqueceria todos os outros partidos”, diz um interlocutor do presidente da Câmara.
Além disso, a movimentação do PL gerou alertas e estimulou Motta a negociar posições estratégicas, como a próxima vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), a distribuição de comissões, relatorias e o controle sobre as emendas parlamentares. Recentemente, ele recebeu o apoio público do líder do PSD, Antonio Brito (BA), e mantém diálogo constante com líderes do PP e do MDB, além de contar com a expectativa de suporte de partidos de esquerda e do Podemos.
H2: O peso histórico das alianças no Legislativo
Para conquistar a vitória no plenário, a legislação exige maioria absoluta entre os votantes. Aliados sustentam que o PL, mesmo com sua maior bancada desde 1988, não possui votos suficientes para eleger um presidente da Câmara sozinho e precisará negociar com diferentes correntes ideológicas.
H3: Paralelo com a gestão de Arthur Lira
Parte do grupo que apoia Motta defende a repetição do modelo utilizado por Arthur Lira (PP-AL) para alcançar uma reeleição histórica em 2023. Naquela ocasião, Lira construiu pontes amplas desde o período de transição governamental, unindo forças do PT ao PL para registrar uma votação recorde. A ideia central é aguardar o desfecho da corrida presidencial para iniciar negociações transversais com todas as legendas.










