A Agência Espacial dos Estados Unidos deu mais um passo importante no projeto de um observatório espacial focado em registrar perturbações no espaço-tempo. A fase atual contempla a fabricação de uma unidade de teste voltada para a futura produção de equipamentos de voo, com execução sob responsabilidade da L3Harris Technologies.

Etapas finais antes do lançamento

O equipamento denominado Engineering Test Unit passará por fases de design, montagem e integração pela companhia privada. O programa é liderado pela Agência Espacial Europeia, com expressiva colaboração norte-americana no fornecimento de instrumentos científicos, suporte de engenharia e tecnologia óptica.

Estrutura e funcionamento da missão

O planejamento científico prevê o posicionamento de três veículos orbitais acompanhando a trajetória terrestre, estruturando um arranjo triangular com 2,5 milhões de quilômetros de extensão em cada lado. Cada satélite contará com dois instrumentos refletores encarregados de enviar e receber sinais de laser infravermelho de forma simultânea.

Por meio dessa tecnologia, a operação medirá variações milimétricas nas distâncias entre as plataformas orbitais, identificando a passagem de eventos cósmicos inacessíveis aos observatórios terrestres convencionais.

Segundo Ira Thorpe, cientista responsável pelo projeto na NASA, as mudanças medidas serão menores que a largura de um átomo de hélio.

O escopo investigativo engloba a identificação de colisões entre buracos negros distantes, além do mapeamento de sistemas estelares binários, anãs brancas e estrelas de nêutrons nas proximidades do sistema solar.

Leia também

Tecnologia avançada e materiais resistentes

Para garantir a precisão exigida, os refletores serão construídos inteiramente com Zerodur, um composto cerâmico de vidro âmbar amplamente utilizado em instrumentação científica de alta precisão devido à sua resistência a oscilações térmicas.

De acordo com Ritva Keski-Kuha, responsável pelo programa de telescópios da LISA no Centro de Voos Espaciais Goddard, os testes do protótipo forneceram informações que serão aplicadas à próxima versão.

A iniciativa espacial também se baseia em premissas da teoria da relatividade geral formulada por Albert Einstein no início do século passado, cujas comprovações práticas começaram a ser realizadas recentemente por cientistas ao redor do globo.