Campanhas massivas de divulgação e orçamentos astronômicos nem sempre garantem salas cheias. A história de Hollywood está repleta de obras que geraram enorme expectativa, mas se transformaram em verdadeiros pesadelos financeiros logo no primeiro fim de semana de exibição.
Apostas ambiciosas que não conquistaram o público
O tropeço recente mais comentado envolve Digger (2026). Comandada pelo diretor Alejandro González Iñárritu, a sátira política colocou Tom Cruise no papel de um bilionário que tenta posar de salvador da humanidade após sua própria empresa causar uma catástrofe ambiental. O projeto da Warner Bros. Pictures custou cerca de US$ 180 milhões, mas arrecadou desastrosos US$ 8 milhões na estreia doméstica e apenas US$ 20 milhões globalmente.
A mesma distribuidora enfrentou dificuldades com Supergirl (2026). Integrante do renovado universo DC nos cinemas e protagonizado por Milly Alcock, o longa focado na busca de vingança de Kara Zor-El contra o mercenário Krem não repetiu a boa fase de lançamentos anteriores da marca. Contra um investimento de US$ 180 milhões, a arrecadação global estagnou em US$ 126 milhões, após uma abertura mundial inferior a US$ 70 milhões.
Outro caso notável é Mickey 17 (2025). O retorno de Bong Joon-ho após a consagração com produções premiadas trazia Robert Pattinson como um funcionário descartável enviado para colonizar um novo planeta em missões fatais. Apesar da premissa baseada no livro de Edward Ashton e de nomes como Mark Ruffalo e Toni Collette, a mistura de comédia ácida e ficção científica não atraiu as massas. O título abriu com US$ 19 milhões nos Estados Unidos e fechou sua trajetória com US$ 133 milhões para um orçamento de US$ 120 milhões.
Franquias consagradas e adaptações desastrosas
O peso de um nome histórico também não evitou o prejuízo de Indiana Jones e a Relíquia do Destino (2023). Dirigida por James Mangold, a quinta aventura do arqueólogo vivido por Harrison Ford demandou impressionantes US$ 300 milhões de produção. Mesmo reunindo fãs saudosistas, a arrecadação doméstica de estreia foi de US$ 60,4 milhões, totalizando US$ 384 milhões mundiais — quantia insuficiente para cobrir os altos custos e gerar lucro à Disney.
O estúdio do Mickey já havia passado por um choque ainda mais severo com John Carter: Entre Dois Mundos (2012). Concebido pelo cineasta Andrew Stanton para inaugurar uma franquia épica de ficção científica sobre um veterano transportado para Marte, o longa estrelado por Taylor Kitsch consumiu mais de US$ 300 milhões. A modesta estreia de US$ 30 milhões abriu caminho para um faturamento global de US$ 284 milhões, cancelando planos futuros da saga.
O colapso dos musicais
O gênero musical também amargou um dos episódios mais controversos da indústria com Cats (2019). A direção de Tom Hooper adaptou a consagrada criação dos palcos com um elenco estelar composto por Judi Dench, Idris Elba e Taylor Swift. Contudo, o estranhamento visual dos efeitos digitais e a rejeição crítica resultaram em pífios US$ 6,6 milhões na estreia norte-americana. Ao redor do mundo, a obra acumulou somente US$ 78 milhões contra um investimento de US$ 100 milhões.
O retrospecto desses títulos comprova que nem elencos renomados, realizadores consagrados ou propriedades intelectuais famosas oferecem garantia de retorno financeiro quando a recepção do público não corresponde ao planejamento inicial.










