O diretor-presidente da Ford Motor Co., Jim Farley, defendeu que os Estados Unidos precisam equilibrar a proteção de sua indústria com a manutenção de regras justas frente ao avanço das fabricantes chinesas. A posição reforça a estratégia da companhia de estabelecer parcerias comerciais com marcas da China.
Crescimento acelerado na Ásia e Américas Durante um evento do setor automotivo realizado em 30 de setembro, Farley chamou a atenção para o ritmo acelerado de crescimento das companhias chinesas no exterior. Segundo o executivo, essas marcas já dominam um quarto do mercado automotivo na Austrália e no México.
O dirigente estimou ainda que as exportações de carros fabricados na China devam alcançar 11 milhões de unidades em 2026. Com isso, o volume superará a produção somada de veículos nos Estados Unidos e na Europa.
Pressão política e barreiras comerciais O avanço internacional tem gerado preocupação entre entidades industriais norte-americanas. O cenário ganhou novos desdobramentos após o presidente Donald Trump afirmar, em 11 de setembro, que não se oporia à instalação de fábricas chinesas em território americano, desde que houvesse a contratação de mão de obra local.
Em resposta, seis entidades representativas do setor enviaram uma carta conjunta em 18 de setembro. O grupo pediu a manutenção de tarifas elevadas, o bloqueio à construção de unidades fabris em nações vizinhas para burlar regras comerciais e um rigor maior na avaliação de riscos à segurança nacional.
Escrutínio sobre acordos e investimentos A montadora americana tem sido alvo de fiscalização política devido aos seus vínculos com o mercado asiático. Em 8 de setembro, o Departamento de Transportes dos EUA cobrou publicamente que a companhia diminua sua dependência tecnológica em relação à China e busque a independência nesse setor.
As críticas federais miraram diretamente a planta de baterias da Ford localizada em Michigan — que emprega propriedade intelectual licenciada da Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. (CATL) —, além de parcerias na Europa com a Geely Automobile Holdings Ltd., a fabricação de veículos Lincoln em solo chinês e conversas em aberto com a BYD Co. Ltd..
Em resposta às cobranças governamentais, a empresa classificou a comunicação oficial como uma manobra publicitária. A companhia destacou que a unidade produtiva em Michigan pertence integralmente à corporação americana, gerando empregos locais e fortalecendo a fabricação interna de baterias.
O CEO reforçou que alianças com referências globais, a exemplo da CATL, representam um caminho viável para impulsionar a economia local e absorver conhecimentos tecnológicos fundamentais. Farley revelou ainda planos para desenvolver uma nova arquitetura de veículos elétricos, projetada para concorrer diretamente com os competidores asiáticos no mercado global.










