O advogado Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, afirmou que o eleitor que escolher o senador Flávio Bolsonaro (PL) estará dando sinal de aprovação à tentativa de tomada do poder pela força e tem “desamor à democracia”. A manifestação foi publicada em um texto no Instagram intitulado “Cuidado com o precipício”.

As críticas ao plano de anistia e à soberania O ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso criticou duramente a proposta do candidato em anistiar os envolvidos nos atos de 8 de Janeiro e a relação do parlamentar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Assim, cada eleitor de Flávio deve ficar ciente de que ao escolhê-lo está a admitir a anistia, ou seja, referendando a invasão das sedes dos Três Poderes e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2022. Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia”, escreveu Reale Júnior.

Em relação à política externa, o jurista apontou riscos de submissão aos interesses norte-americanos na América Latina.

“Pouco se sabe sobre ele e acerca de suas propostas de governo. O certo é que pretende anistiar os golpistas de 8 de Janeiro, a começar por seu chefe, o pai, e submeter-se aos interesses dos Estados Unidos, que pretende ter os países da América como sesmarias”, declarou.

Riscos de intervenção e o debate sobre facções O autor do texto também avaliou a proposta de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, argumentando que a medida poderia abrir brecha para uma intervenção militar dos Estados Unidos e fragilizar a soberania nacional.

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Jair Bolsonaro, pai do candidato, cumpre prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Segundo investigações, o plano incluía conspirações contra autoridades da República.

Comparação com os governos do PT e alerta final Ao ponderar sobre o cenário político atual, Reale Júnior comparou a candidatura com a gestão petista e avaliou que o PT não representa o mesmo risco institucional.

“Se é certo que o PT e o próprio Lula revelam o desgaste do tempo e permeia a sociedade um cansaço com o discurso petista, todavia, uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco.”

O jurista concluiu o manifesto reforçando o alerta sobre os rumos do país na reta final do pleito: “Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício. Dentro de 15 dias resolve-se o destino do Brasil e desejo ardentemente que não vivamos sob o signo da violência”.