Senadores da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam nos bastidores para adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1, cuja análise no plenário está prevista para a próxima semana.
Estratégia de articulação com a presidência da Casa Parlamentares bolsonaristas se reuniram para definir os passos da ofensiva e decidiram solicitar ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que a deliberação ocorra somente após o desfecho da eleição presidencial. A senadora Tereza Cristina foi escolhida como porta-voz do grupo para negociar diretamente com o comando da Casa legislativa.
A posição do comando da campanha da oposição O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, senador Rogério Marinho, declarou que o grupo não se opõe a debater o tema da jornada de trabalho no país, mas criticou a condução e o ritmo acelerado dado ao processo neste momento político.
“Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado”, disse Rogério Marinho.
Tramitação e exigências regimentais De acordo com as normas da Casa, a matéria precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser submetida ao primeiro turno de votação, exigindo ainda novos prazos e mais três sessões antes da votação definitiva. A oposição já sinalizou que pretende apresentar emendas ao texto, o que pode estender ainda mais o trâmite caso os prazos regimentais sejam seguidos à risca.
Críticas ao calendário e embate político A escolha da data para pautar a proposta gerou forte reação entre os senadores contrários ao governo, que apontam motivações eleitorais na investida e defendem prioridades distintas para a pauta legislativa.
“Jogar entre o primeiro e segundo turno? Eu tenho matérias mais importantes ali na pauta”, disse a senadora Damares Alves. “Essa matéria pautada é para desgastar a imagem do Flávio”, continua.
Enquanto a base governista mantém a articulação para garantir os votos necessários e aprovar o texto em dois turnos ainda antes do pleito, a oposição aposta na rigidez do regimento interno ou em negociações diretas para desacelerar o ritmo da votação.










