O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta na segunda colocação das pesquisas de intenção de votos como o principal nome do bolsonarismo para a corrida presidencial de 2026. Aos 45 anos, formado em direito e casado, o parlamentar é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe. A indicação de Flávio para a disputa ao Palácio do Planalto foi definida diretamente pelo pai no final de 2025, após intensas disputas internas e atritos familiares dentro do Partido Liberal.
A trajetória política e legislativa no Senado Com uma longa carreira pública iniciada aos 21 anos como deputado estadual por quatro mandatos, Flávio tentou a prefeitura do Rio de Janeiro em 2016 sem sucesso, antes de conquistar uma vaga no Senado Federal em 2018 com mais de quatro milhões de sufrágios.
Durante seu mandato parlamentar, atuou na presidência da Comissão de Segurança Pública, embora tenha registrado apenas dois projetos convertidos em leis, nenhum deles voltado para o setor de segurança. Paralelamente, seu patrimônio pessoal saltou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões. O senador ganhou maior projeção no grupo político ao atuar na defesa jurídica do pai no processo conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A escolha do herdeiro e os conflitos familiares A imposição de Flávio como candidato gerou insatisfação entre aliados e familiares, culminando em um embate público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no meio do ano passado, quando ela relatou episódios de desentendimento. Apesar da crise, Michelle acabou concorrendo ao Senado pelo Distrito Federal, mas manteve distância da campanha do enteado.
Caso Dark Horse e o financiamento de filme Investigações jornalísticas revelaram que o candidato negociou montantes milionários com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Documentos apontam repasses que somam dezenas de milhões de milhões de reais direcionados por meio de fundos internacionais e empresas parceiras.
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. […] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”, declarou o senador em mensagens obtidas pelas apurações.
O episódio foi marcado por divergências nas declarações do parlamentar, que inicialmente negou o financiamento, classificando as apurações como perseguição, mas posteriormente admitiu os contatos e justificou a omissão por cláusulas de sigilo contratual.
Suspeitas sobre voos e emendas parlamentares A campanha também enfrentou questionamentos sobre o uso de uma aeronave compartilhada associada a Vorcaro, transporte que o próprio senador havia criticado anteriormente. Além disso, a Polícia Federal investiga o repasse de recursos de emenda parlamentar para um projeto esportivo a pedido de um miliciano condenado pelo STF pelo envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.
O escândalo da rachadinha na Alerj Na esfera judicial, o nome do candidato esteve no centro de denúncias de peculato e lavagem de dinheiro durante seu período como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O Ministério Público apontou a existência de um esquema de desvio de salários de assessores gerido pelo ex-chefe de gabinete Fabrício Queiroz. Contudo, a denúncia acabou não tendo o mérito julgado após decisões das cortes superiores que anularam provas cruciais obtidas nas quebras de sigilo.










