Pela primeira vez em sua trajetória, o ativista político e empresário Renan Santos disputa um cargo público ao se lançar candidato à Presidência da República. O pleito também marca a estreia do partido Missão, legenda fundada em 2025, na corrida eleitoral brasileira.
Biografia e posicionamento político Natural de São Paulo e com 42 anos, o candidato iniciou o curso de direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não chegou a concluir a graduação. Apresentando-se como uma alternativa fora do sistema em meio a um cenário de forte polarização, ele direciona suas críticas à chamada “velha política”, focando seus ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em Flávio Bolsonaro, representante do PL na disputa pelo Palácio do Planalto.
“Dois fracassados, dois medrosos, Lula e Flávio Bolsonaro, dois criminosos que fazem negócio com o crime organizado”, afirmou Renan.
Historicamente ligado ao surgimento do Movimento Brasil Livre (MBL) em 2014, o postulante participou ativamente das manifestações que resultaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016. Embora tenha apoiado Jair Bolsonaro no segundo turno de 2018, o grupo rompeu com o governo no ano seguinte e passou a sofrer ataques da militância bolsonarista, conseguindo, contudo, sobreviver politicamente e estabelecer uma postura de oposição tanto ao petismo quanto à família Bolsonaro. Nas pesquisas recentes, o candidato registra entre 3% e 6% das intenções de voto, figurando em empate técnico na terceira posição ao lado de nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury.
Estratégia de campanha e propostas para a segurança Desprovido de tempo significativo no horário gratuito de rádio e televisão, o presidenciável concentrou sua estratégia nos meios digitais e em viagens de carro pelo interior e capitais do país, visitando redutos dominados por caciques partidários. No setor de segurança pública, suas ideias bebem da fonte do modelo adotado em El Salvador por Nayib Bukele, sintetizado pelo bordão “prendeu, matou”. A proposta prevê que membros de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — recentemente classificadas como terroristas pelos Estados Unidos — fiquem sem acesso aos trâmites processuais padrão da justiça nacional, além da decretação de um estado de defesa e de um investimento de R$ 6 bilhões na construção de presídios.
“Se você é um bandido, você tem apenas duas opções no meu governo. Ou você vai ser preso, ou se você reagir, você vai terminar morto ou machucado. […] A regra hoje é o prendeu, soltou”, afirmou.
“Antes da GLO do [Michel] Temer tivemos as UPPs no Rio, que inicialmente tiveram sucesso e depois não deram certo, porque o Brasil não fez arcabouço legal para sustentar esse processo”, disse durante sabatina na TV Globo.
Plano de governo e economia As diretrizes da campanha estão reunidas no documento batizado de Livro Amarelo. Entre os pontos centrais está a política de “desfavelização”, que propõe a titulação de terras em comunidades carentes e intervenções urbanísticas e de segurança para transformar mais de 12 mil favelas em bairros regulares.
“Uma pessoa que vive hoje em na favela, ela não é titular de direitos. Ela tem taxa de tuberculose maior, taxa de gravidez na adolescência maior, presença endêmica do crime organizado. A anomalia urbanística chamada favela precisa ser confrontada, enfrentada e resolvida. Países sérios não têm favela”, argumentou.
Na área fiscal, o candidato defende a desvinculação dos pisos constitucionais de saúde e educação, além de uma nova reforma da previdência e cortes de gastos para conter o avanço da dívida pública, estimando uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031. No campo externo, sugere maior protagonismo sul-americano e equilíbrio nas relações com as superpotências, chegando a mencionar a possibilidade de o país desenvolver armamentos nucleares para garantir maior projeção global.
“As medidas que nós vamos adotar, no mínimo, vamos deixar ela [a trajetória da dívida] estável com cortes de gastos e aumento do PIB […] Hoje, ela está acelerando velozmente, e nós precisamos cortar a velocidade de aceleração dela. Ela acelera através das indexações e vinculações”, pontuou.
Polêmicas e episódios marcantes A trajetória rumo à consolidação partidária foi acompanhada de controvérsias, sendo a mais grave o vazamento de áudios atribuídos ao ex-deputado estadual Arthur do Val, um dos fundadores do MBL, durante uma viagem à Ucrânia logo após o início do conflito com a Rússia. As mensagens, que resultaram na cassação do mandato do parlamentar, continham comentários depreciativos sobre mulheres ucranianas e menções a viagens anuais organizadas pelo grupo na Europa conhecidas como “tour des blondes”.
“Em defesa dele, foi um áudio em ambiente privado com amigos dele. Não era nem no nosso grupo político. Esse áudio vazou e após vazar, ele sofreu as consequências políticas dele. O áudio é muito ruim. Se a pessoa ouve o áudio, a pessoa, mulher ou homem mesmo, fica: ‘esse áudio não é adequado’. Dito isso, foi um áudio privado, em um ambiente privado e ele perdeu o mandato dele”, declarou.










