As atenções do pleito de 2026 costumam se concentrar na corrida pela Presidência da República, mas a disputa pelo Congresso Nacional é determinante para o equilíbrio de forças na política brasileira, com impacto direto sobre o futuro do Supremo Tribunal Federal, o controle do Orçamento e a governabilidade do próximo chefe do Executivo.

Renovação histórica no Senado e a crise no STF A corrida para o Senado ganhou um protagonismo inédito em razão da crise envolvendo a Suprema Corte, impulsionada após revelações sobre conexões de ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A possibilidade de impeachment de magistrados, que é uma prerrogativa exclusiva dos senadores, transformou-se em tema central de campanha. Partidos de oposição ao atual governo têm pressionado o comando da Casa para avançar com os processos, embora o presidente do Senado mantenha os pedidos retidos.

Sobre esse cenário, o presidente da Casa declarou: “Isso não é normal”

O PL, partido do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro, busca ampliar sua bancada atual de 15 integrantes para tentar controlar a Mesa Diretora. O cenário eleitoral, contudo, esbarra no desconhecimento de boa parte do eleitorado, já que pesquisas apontam que parcela significativa dos eleitores ignora a possibilidade de preencher duas vagas por estado, dinâmica que historicamente gera altos índices de votos brancos e nulos.

Sobrevivência partidária e o cenário na Câmara Enquanto o Senado concentra o debate sobre o Judiciário, a disputa pelas 513 cadeiras da Câmara dos Deputados envolve a sobrevivência das legendas. Para garantir recursos do Fundo Eleitoral e o direito à propaganda gratuita no rádio e na televisão, as siglas precisam cumprir a cláusula de barreira, que exige a eleição de uma quantidade mínima de parlamentares distribuídos por diferentes estados.

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Como o montante do fundo bilionário é distribuído de acordo com o desempenho anterior das legendas, o resultado nas urnas define o peso financeiro dos partidos para os pleitos seguintes. Partidos de maior expressão, como o PL e o PT, disputam a liderança numérica na Casa Baixa para influenciar diretamente a aprovação ou a rejeição de projetos de lei de interesse nacional.

Poder financeiro e emendas parlamentares Além da atuação legislativa, o peso do Congresso se consolidou pelo controle de fatias expressivas do Orçamento público por meio de emendas parlamentares. Os recursos bilionários divididos em modalidades individuais, de bancada e de comissão dão ao Parlamento maior autonomia frente ao governo federal, visto que grande parte dessas transferências passou a ser de execução obrigatória pelo Executivo nos últimos anos.