O ex-jogador Alessandro esteve muito perto de integrar o grupo que conquistou o pentacampeonato mundial, mas viu o sonho desabar devido a uma grave lesão no tornozelo meses antes da competição.
Pressão e convivência com veteranos
Durante entrevista, o ex-lateral detalhou o clima de forte cobrança que enfrentou nos primeiros passos com a camisa amarela, período em que tentava assimilar a rotina ao lado de grandes nomes do futebol nacional.
— Foi um momento muito caótico o que eu passei na seleção. Eu ficava mais quieto, ouvia mais os caras mais velhos. Eles ali, naquela tranquilidade, o Romário, naquela tranquilidade dele. E eu ali, todo cagado. Meu Deus do céu! Que pressão é essa? Pensava: “Não vou querer voltar mais não.” É sempre assim, ou é só na minha vez? — contou, em meio a risadas.
Tensão na Colômbia e ultimato de Felipão
Antes do Mundial, o atleta integrou o grupo que viajou para disputar a Copa América de 2001 em meio a um cenário de conflito armado entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo local, situação que gerou pânico imediato na delegação.
— Na primeira convocação minha para a Copa América, estava tendo aquela guerrilha toda na Colômbia. A apresentação dos jogadores era em Guarulhos, e todo mundo foi se apresentando. O Felipão já estava dentro do avião esperando — começou a contar Alessandro.
O temor com a falta de garantias mínimas levou o volante Mauro Silva a liderar um movimento de boicote coletivo contra o embarque dos atletas.
— O Mauro Silva reuniu todos os jogadores e falou para ninguém embarcar. A CBF não estava dando aquela segurança, o país estava em guerra, e ele disse que não ia, porque ele tinha a família dele — continuou.
A situação gerou um impasse imediato contornado apenas com a intervenção firme do comandante da equipe nacional.
— O pessoal chamando a gente para entrar no avião, que tinha que partir, e nada… De repente desce o Felipão: “O que vocês estão fazendo aqui?” Aí o Mauro Silva falou: “Professor, a gente não vai não, porque não está tendo segurança e temos família.” O Felipão disse: “O quê?” Vocês não vão? Quem não for comigo, está fora”.
Diante do ultimato, a postura dos atletas mudou instantaneamente, com exceção do líder do protesto.
— Eu peguei minha malinha e fui o primeiro a entrar no avião. Seja o que Deus quiser (risos). De repente, veio todo mundo, né? Só não veio o Mauro Silva — contou.
Lesão e o fim do sonho da Copa
Anteriormente, o defensor havia participado da campanha nas Eliminatórias, incluindo a partida decisiva contra a Venezuela que garantiu a classificação brasileira, quando recebeu sinais claros da comissão técnica sobre suas chances de ir ao Mundial.
— No último jogo da eliminatória, contra a Venezuela, eu fui convocado e ia jogar. Só que, na véspera do jogo, eu tive uma amigdalite e fiquei só no banco. Depois que nós ganhamos da Venezuela, todo mundo comemorando, e o Felipão deixou bem claro que eu tinha a grande chance de ir para a Copa — contou.
No entanto, um problema físico sério interrompeu sua sequência e abriu caminho para outros concorrentes na lateral.
— Infelizmente, eu tive uma lesão neste período. Quando voltou a ter os jogos amistosos, eu não fui por causa de lesão e foi o Beletti. Lógico, eu queria ser campeão, estar lá junto com eles, mas a gente comemora de outras maneiras. O Felipão me falou: “Você também faz parte”.









