A ascensão meteórica do zagueiro Arthur Dias na carreira profissional é marcada por momentos de forte emoção, desde a quase transferência para o futebol gaúcho até a consolidação como titular e a recente convocação para a seleção brasileira sob o comando do técnico Carlo Ancelotti.
A quase transferência para o Internacional
Natural de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o jovem de 19 anos iniciou no futsal aos seis anos e atuava como atacante na infância. Após tentativas frustradas de mudança para Porto Alegre devido a compromissos familiares, ele chegou ao Athletico em 2019, mas enfrentou paralisações devido à pandemia de Covid-19. Foi nesse cenário de incertezas que surgiu uma proposta concreta do clube colorado.
—Tinha um cara que queria me levar para o Internacional. Se eu não passasse na avaliação do Athletico em duas semanas, ele ia me levar para o Inter com contrato e moradia. Passaram duas semanas e o cara me ligou: “Vamos para o Internacional, está tudo certo, eu vou trazer seus pais”. Aí eu tive que tomar uma decisão muito novo, com 14 anos.
— Como eu já tinha feito avaliações antes da pandemia, me sentia em casa, porque conhecia os moleques que jogavam comigo na base. Foi uma escolha que eu fiz, eu falei que não queria ir para o Internacional, eu quis correr o risco. Fiquei mais uma ou duas semanas e consegui passar.
Mudança de posição e o baque da estreia
Ingressando de vez na base rubro-negra em 2022, o atleta trocou de função no campo por influência de Rodrigo Bellão, técnico da base na época e atualmente no Botafogo. O momento mais crítico antes da afirmação ocorreu na Série B de 2025, quando cometeu um pênalti nos acréscimos contra o América-MG, resultando no empate por 2 a 1 após ter entrado no segundo tempo.
— Foi um momento muito difícil para mim. Me senti muito mal, porque eu esperava muito por esse momento. Acho que era para ser. Eu lembro muito bem que no outro dia chegamos em Curitiba e depois do treino eu não aguentei, desabei e comecei a chorar muito.
O respaldo imediato da comissão técnica evitou um impacto maior na confiança do defensor.
— O Odair me deu muito apoio para me manter firme. Depois disso, fui convocado e fiquei uma semana e meia na seleção sub-20. Quando voltei para o clube, tinha um zagueiro machucado e o outro estava suspenso. O Odair falou que ia precisar de mim, que eu estava concentrado e já tinha evoluído bastante. Eu falei que estava preparado. Foi um jogo na Arena contra o Cuiabá, comecei de titular e depois daquele jogo nunca mais saí.
Surpresa com a convocação e idolatria
A chamada para a equipe principal do Brasil veio acompanhada de forte incredulidade por parte do defensor, que vive grande fase no Campeonato Brasileiro.
— Eu não tinha escutado nada. Claro que, pela temporada que eu venho fazendo, me falaram que eu tinha chance de ser convocado. Só estava fazendo meu trabalho, tentando dar o máximo pela equipe. Quando descobri que estava na pré-lista, fiquei um pouco ansioso e surpreso, mas muito feliz. No dia da convocação, fiquei ansioso, não sabia exatamente se eu ia ser convocado. Deu aquele frio na barriga, mas eu sabia que seria no tempo certo.
Logo após o anúncio, ele ainda coroou a boa fase balançando as redes pela primeira vez no profissional durante o clássico contra o Coritiba. Tendo o experiente Thiago Silva como grande referência na carreira, o defensor não esconde a admiração pelo estilo de jogo do ídolo.
— Sou “fãzasso” do Thiago Silva. É um cara muito dedicado, que para mim é referência de tudo. Fenomenal tanto na marcação quanto com bola. É um zagueiro que faz o simples e, quando dá, acha o passe. Para mim é o top-1.
Valorizado no mercado internacional, o atleta já despertou interesse do futebol europeu, tendo o Athletico recusado uma proposta de 21 milhões de euros (R$ 123 milhões) do Tottenham, além do monitoramento de olheiros do Barcelona. Após estrear no amistoso contra a Austrália, o jovem zagueiro deve figurar entre os onze iniciais no compromisso diante da Índia.









