O núcleo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já iniciou os debates internos voltados para a formulação de táticas visando uma eventual disputa de segundo turno na corrida presidencial.
Diretriz econômica e política fiscal A leitura predominante entre os assessores do chefe do Executivo é de que a eleição será decidida na segunda etapa, momento em que o mandatário precisará ir além do mero contraste entre os postulantes ao cargo.
Entre os tópicos avaliados como fundamentais está a condução da economia e o controle das contas públicas. “Lula vai ter de mostrar que, no seu quarto mandato, terá mais rigor fiscal”, diz um interlocutor do presidente.
Desafios nas contas públicas A estratégia dos aliados envolve contextualizar as dificuldades financeiras do atual mandato, creditando parte do cenário desfavorável à herança econômica recebida da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar disso, conselheiros apontam que, em um possível novo mandato, será necessário apresentar sinalizações claras de controle sobre a expansão da dívida pública. Em junho, a dívida bruta do setor público alcançou 82% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme informações repassadas pelo Banco Central no mês seguinte. O assunto ganha relevância diante de declarações anteriores de Lula, que em agosto pontuou à TV Globo que o endividamento brasileiro não gerava apreensão, apostando na expansão econômica como solução.
Inovações para o eleitorado Além do ajuste fiscal, a cúpula da campanha reconhece a necessidade de apresentar novas propostas à sociedade, buscando engajar parcelas do eleitorado que demonstram desgaste com a polarização política atual.
“Ele precisa dizer exatamente o que trará de novo num quarto mandato para atrair um eleitor que já está, de certa forma, cansado do estilo do petista”, afirma um conselheiro do presidente.
O peso estratégico de Minas Gerais Para equilibrar o panorama eleitoral e neutralizar a força de Flávio Bolsonaro (PL) em redutos como São Paulo e o Rio de Janeiro, a coordenação da campanha elegeu o estado de Minas Gerais como prioridade absoluta.
Levantamentos recentes do instituto Quaest indicam melhora na performance do petista entre os mineiros. Na pesquisa estimulada, o candidato oscilou de 31% no começo de setembro para 35% no dia 23, estabilizando nesse patamar no levantamento do dia 29. Nos cenários de segundo turno testados no estado, Lula avançou de 37% para 41%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 40%. A avaliação da gestão federal no território mineiro também registrou variações positivas entre agosto e setembro, com a taxa de aprovação subindo de 41% para 44% e a rejeição recuando de 52% para 49%.
Expectativas para a reta final Embora o comando da campanha mantenha a expectativa de terminar a primeira etapa à frente na contagem de votos, aliados admitem que o cenário de segundo turno apresenta grande complexidade, sobretudo devido ao empate técnico apontado em simulações recentes e à provável capacidade do adversário de aglutinar apoios de candidaturas eliminadas no primeiro turno.










