Pesquisas recentes indicam que pacientes em tratamento para obesidade conseguem continuar perdendo peso ao substituir as populares canetas injetáveis por comprimidos orais. A descoberta traz novas perspectivas para a personalização do cuidado médico, embora a eficácia entre os formatos ainda apresente diferenças importantes de velocidade e intensidade.

Como funcionam os comprimidos de semaglutida

Historicamente, o desenvolvimento de medicamentos antiobesidade em formato oral esbarrava em um obstáculo biológico: as moléculas análogas de GLP-1 e GIP, como semaglutida e tirzepatida, são peptídicas e acabavam degradadas pelo trato digestório humano.

Para solucionar esse entrave, a farmacêutica Novo Nordisk adotou a tecnologia SNAC no Rybelsus e no Wegovy oral.

“Ele permite um aumento da absorção da semaglutida quando administrada por via oral, impedindo que seja totalmente degradada”, explicou à VEJA SAÚDE a endocrinologista Marília Fonseca, diretora médica da Novo Nordisk no Brasil, em setembro de 2025.

Resultados do estudo OCTANE

A investigação científica, divulgada durante o Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, analisou 194 norte-americanos que migraram das injeções para as pílulas. Os voluntários tinham idade média de 45 anos e peso inicial próximo de 100,5 kg.

Após três meses da transição, os pacientes registraram uma eliminação média de 4,1% do peso corporal. Além disso, 40,7% dos participantes atingiram a marca de pelo menos 5% de emagrecimento, enquanto a proporção de indivíduos com IMC superior a 30 despencou de 87,1% para 65,5%.

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Adesão e limitações da pesquisa

O levantamento também mediu a aceitação do formato em pílula entre os usuários. Cerca de 75% dos participantes demonstraram satisfação com a mudança, e 86,7% relataram alta adesão ao tratamento diário.

Apesar dos dados animadores, os autores ponderam que o monitoramento foi breve, utilizou peso autorreferido e contou com respostas parciais sobre satisfação. Como o estudo não incluiu um grupo de controle mantido nas injeções, não é possível afirmar se a perda ponderal seria superior ou equivalente com as canetas.

Expectativa de chegada ao Brasil

Atualmente comercializado em nações como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos, o Wegovy em comprimido aguarda liberação regulatória no território brasileiro. O pedido formal foi protocolado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária em janeiro, com expectativa de aprovação ao longo de 2026.