Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública recolheu 9.976 telefones celulares em unidades prisionais de todo o Brasil ao longo dos últimos três anos. Iniciada em outubro de 2023, a chamada Operação Mute já passou por 13 fases com o intuito de desarticular a comunicação ilícita de detentos com comparsas que continuam do lado de fora das cadeias.
Balanço das vistorias nas penitenciárias
Neste período de inspeções intensificadas, as equipes de segurança vistoriaram 49.639 celas espalhadas por 1.412 estabelecimentos prisionais brasileiros. Durante as varreduras, os agentes utilizam tecnologia avançada, incluindo scanners capazes de detectar materiais através do concreto, além de encontrarem dispositivos ocultos em locais como colchões, encanamentos e cavidades nas paredes.
Causas para a entrada de eletrônicos
O secretário nacional de Políticas Penais (Senappen), André Garcia, explicou que a presença de eletrônicos e outros itens proibidos nas penitenciárias decorre de múltiplos fatores institucionais e operacionais.
“A entrada de celulares e outros materiais ilícitos em unidades prisionais de alguns estados tem diferentes causas: problemas de estrutura, falhas nos protocolos de segurança, necessidade de capacitação, superlotação e, também, desvios funcionais, que precisam ser apurados, com a responsabilização dos envolvidos. Por isso, nosso trabalho vai além das apreensões”, afirmou Garcia.
Para combater esse cenário, o ministério tem direcionado recursos para o fortalecimento da vigilância e o treinamento de agentes. A previsão de investimento para o ano de 2026 chega a R$ 27,7 milhões destinados aos estados.
“Estamos doando equipamentos de inspeção e drones de vigilância aos estados, além de apoiar a atuação das corregedorias. No Rio de Janeiro, por exemplo, oferecemos um sistema específico para a tramitação de processos correcionais. As operações são necessárias para retirar os materiais ilícitos, mas precisam estar acompanhadas de medidas que dificultem sua reentrada”, declarou o secretário.
Balanço da etapa mais recente
A fase mais recente da iniciativa, conduzida entre os dias 21 e 25 de setembro, resultou no recolhimento de 598 aparelhos em mais de 100 estabelecimentos prisionais pelo país, abrangendo o Distrito Federal e todas as unidades federativas.
Policiais federais e estaduais inspecionaram 3.604 celas em locais que abrigam mais de 88 mil custodiados. Com o uso de inteligência estratégica, a Secretaria Nacional de Políticas Penais mantém o foco em desmantelar a atuação de facções criminosas que tentam comandar crimes de dentro do sistema prisional.










