As companhias enquadradas no Simples Nacional ganharam um fôlego extra para definir sua situação fiscal de 2027. O adiamento dos prazos, oficializado pela Resolução CGSN nº 194/2026, estende o período de deliberação para uma escolha que vai muito além da tributação, impactando diretamente preços, margens de lucro, relações com clientes e fornecedores, além do fluxo de caixa.

Duas decisões distintas

A Receita Federal pontuou que o calendário envolve dois procedimentos diferentes. Quem deseja ingressar ou retornar ao Simples Nacional em 2027 agora tem até 15 de outubro para realizar o pedido. Por outro lado, as marcas que já integram o regime e pretendem apurar o IBS e a CBS pelo modelo regular — conhecido como sistema híbrido — ganharam prazo até 30 de outubro de 2026. A mudança ocorreu após articulação entre o Comitê Gestor do Simples Nacional, o Sebrae e o Conselho Federal de Contabilidade.

A importância da simulação financeira

Especialistas alertam que o tempo extra não deve servir para postergar a escolha, mas sim para aprofundar análises. Para Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade, “Esse adiamento precisa ser encarado com muita seriedade pelas empresas. Agora o empresário ganhou mais tempo, mas esse tempo precisa ser utilizado para análise, simulação e planejamento. Não é uma oportunidade para simplesmente empurrar a decisão para frente”.

Impactos na cadeia de negócios

A transição para o regime regular de IBS e CBS exige cautela na gestão de créditos tributários e nas negociações comerciais. A escolha deve ser formalizada no Portal do Simples Nacional e passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2027. Quem optar por não fazer a mudança continuará com os novos tributos dentro da sistemática simplificada durante o primeiro semestre do mesmo ano.

Reforçando essa necessidade de cautela, Richard Domingos destaca que “Agora existe uma oportunidade concreta para sair da discussão conceitual e colocar os números na mesa. A empresa precisa saber como compra, como vende, quem são seus clientes, quais créditos poderá gerar ou aproveitar, como estão suas margens e qual será o impacto no caixa. Só depois disso será possível avaliar qual modelo faz sentido para sua realidade”.

O papel estratégico da contabilidade

O volume de adeptos já é expressivo. Dados da Receita Federal apontam quase 600 mil solicitações para o regime regular e mais de 370 mil pedidos direcionados ao próprio Simples Nacional. Diante desse cenário, a atuação dos profissionais contábeis torna-se indispensável para documentar riscos e dar segurança jurídica aos gestores.

Sobre essa responsabilidade, Gabriel Capano, CEO da HubCount, ressalta que “A decisão é do empresário, mas a contabilidade tem uma responsabilidade muito grande nesse processo. Se o escritório simplesmente disser qual opção parece mais barata, sem analisar os dados e os impactos para aquele negócio, poderá ser questionado no futuro sobre os fundamentos daquela orientação. É preciso apresentar os cenários, explicar os riscos e registrar tecnicamente a análise feita”.

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Tecnologia como aliada na tomada de decisão

Como cada corporação possui uma estrutura única de custos e fornecedores, o cruzamento de dados por meio de ferramentas tecnológicas tem sido fundamental para simular cenários futuros com precisão.

Nesse sentido, Stephenson Seleber, presidente da Alpha7 Desenvolvimento de Software, afirma que “Essa não é uma decisão simples e nem padronizada. Cada empresa possui uma realidade diferente, com estrutura de custos, perfil de clientes, mix de produtos e fornecedores próprios. Não existe uma resposta única sobre qual caminho é mais vantajoso”.

O executivo complementa dizendo que “O empresário não pode tomar uma decisão no impulso. É preciso começar agora a analisar os números, simular cenários e entender os impactos da reforma. Quanto maior a qualidade das informações disponíveis, maior será a segurança para escolher o regime mais adequado à realidade da empresa”.

Calendário de prazos para 2027

As companhias devem atentar-se às datas limites estabelecidas pelo fisco: até 15 de outubro de 2026 para solicitar o ingresso ou retorno ao Simples; até 30 de outubro para regularizar pendências impeditivas e para optar pelo regime regular de IBS e CBS; o período entre 3 de novembro e 20 de dezembro de 2026 para eventuais cancelamentos; e, por fim, 1º de janeiro de 2027 como a data em que todas as opções entram oficialmente em vigor.