Documentos recuperados pela Polícia Federal indicam que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve uma hospedagem avaliada em R$ 32,7 mil custeada para o Réveillon de 2024 em uma pousada de luxo localizada em Paraty, no Rio de Janeiro. A despesa foi quitada por Leo Slezynger, herdeiro da fabricante de fertilizantes Unigel, conforme apontam registros de conversas encontradas no celular da lobista Roberta Luchsinger, que integra um inquérito sigiloso no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

Detalhes das mensagens e articulações políticas

De acordo com os dados obtidos, Luchsinger efetuou o pagamento inicial de R$ 13.650, montante que posteriormente foi reembolsado e totalmente assumido por Slezynger. Em 27 de novembro de 2023, a lobista enviou mensagens ao empresário destacando a relevância de Marcola. Na ocasião, ela escreveu: “Paguei a entrada e agora tem o restante. Convida ele p conhecer a reservar [sic], ir na sua casa. Marcola eh a figura mais importante tá. Vamos precisar dele por mto tempo“.

Os diálogos também mostram que Roberta mencionou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, solicitando que Marcola estabelecesse contato com ele. O ex-chefe de gabinete respondeu que já havia agendado uma reunião com Silveira para as 14h30, momentos antes de um compromisso oficial do ministro com o presidente. Adicionalmente, a lobista ofereceu um veículo blindado para a família de Marcola — cuja esposa, Nicole Briones, atua na coordenação das redes sociais de Lula e do PT —, mas a oferta acabou sendo recusada.

Posicionamentos dos citados

Em nota enviada à imprensa, a assessoria de imprensa de Marcola declarou que o pagamento da hospedagem “faz parte de um empréstimo pessoal que Marco Aurélio Ribeiro recebeu de Roberta Luchsinger. Como já foi esclarecido em outras ocasiões e amplamente noticiado, o referido empréstimo já foi integralmente quitado”.

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Por sua vez, o Ministério de Minas e Energia se manifestou sobre as menções ao titular da pasta. Em atenção aos seus questionamentos, o ministro Alexandre Silveira “jamais foi abordado por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para solicitar interferências em temas sob a alçada do MME“. A nota acrescenta: “Ressaltamos que, durante toda a sua atuação profissional, o senhor Marcola acionou o ministro somente para tratar de agendas estritamente republicanas e institucionais“.

Contexto das investigações e desdobramentos

As informações surgem em meio a um cenário de apurações sobre desvios de aposentadorias e pensões do INSS, um esquema estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 que motivou diversas fases da operação Sem Desconto desde abril de 2025. O inquérito tem gerado desdobramentos e mandados de busca, apreensão e prisões em diferentes Estados do país, envolvendo ex-gestores públicos, entidades representativas, parlamentares e empresários ligados aos alvos principais da investigação conduzida pelas autoridades federais.