Antes da decisão do governo federal de proibir as casas de apostas no Brasil, os planos de governo dos candidatos à Presidência apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostravam visões bastante distintas sobre o setor. Um levantamento detalhado revelou que sete dos 13 postulantes ao cargo mencionavam o tema em suas propostas oficiais.

Propostas de Lula e Flávio Bolsonaro O programa de Luiz Inácio Lula da Silva não previa o encerramento da atividade, focando em saúde e economia. O texto indicava planos para “Ampliaremos os profissionais e as estratégias voltadas às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas”. Na economia, a meta era manter o monitoramento do endividamento.

Já o plano de Flávio Bolsonaro defendia o bloqueio de recursos públicos para essa finalidade. “Vamos proibir o uso dos recursos dos programas sociais para apostas, porque dinheiro destinado a pôr comida na mesa não pode escoar para a casa de apostas, e promover campanhas educativas e de conscientização sobre os riscos do endividamento com jogos”, apontava o documento do candidato do PL.

Visão de Ronaldo Caiado e propostas mais radicais O candidato Ronaldo Caiado dedicou espaço para tratar os jogos como ameaça. O texto pedia para “Regulamentar e endurecer as regras, com máximo rigor, dos jogos e das apostas on-line, atividade inexistente no país até 2018 e hoje associada à lavagem de dinheiro, uso de contas de terceiros, manipulação de identidades, fraudes, evasão fiscal e riscos à integridade esportiva, com proibição da publicidade em veículos de comunicação de massa e em redes sociais”. O programa ainda destacava a necessidade de “Priorizar as ações do Ministério da Segurança Pública na repressão das plataformas ilegais de jogos e apostas, com trilha de inteligência financeira dedicada ao setor, mecanismos céleres de bloqueio administrativo e judicial, interrupção de fluxos financeiros, responsabilização de operadores clandestinos, combate à publicidade irregular e cooperação internacional permanente”.

Em contrapartida, os partidos de esquerda Hertz Dias e Edmilson Costa defendiam o banimento total. A proposta de Hertz detalhava a “Proibição das Bets, expropriação de seu capital e de seus proprietários e sua reversão a um fundo público de saúde para o tratamento de ludopatia, com a proibição aos bancos de realizarem transações financeiras a essas empresas”. Edmilson seguiu linha similar com o pedido de “Proibição das BETs com a expropriação dos seus ativos.”

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Críticas e silêncio nos demais partidos Outros nomes também pontuaram críticas severas. Samara Martins associou o setor à perda de renda. “Não bastasse, casas de apostas promovem um verdadeiro assalto do salário do trabalhador prometendo dinheiro fácil a quem apostar em jogos. O resultado é que milhões de pessoas estão endividadas e viciadas nas chamadas bets, um crime contra a economia popular que fica impune dado o imenso poder do capital na sociedade”, declarou. Wilson Grassi focou no combate ao crime organizado, incluindo o setor na “Prioridade de orçamento e de pessoal para investigação patrimonial: laranja, empresa de fachada, posto de combustível, transportadora, clínica, casa de apostas”.

Por fim, os documentos de Augusto Cury, Romeu Zema, Renan Santos, Pablo Marçal, Clariana Barão e Rui Costa Pimenta não continham menções diretas ao mercado de apostas virtuais.